Enquanto as casas de apostas invadem camisas, estádios e redes sociais, alguns dos maiores nomes do esporte mundial escolheram o lado oposto do negócio e passaram a usar a influência para alertar sobre os riscos das bets. Entre os mais emblemáticos estão Kylian Mbappé e o brasileiro Danilo. Um vem dos subúrbios de Paris, o […]
Enquanto as casas de apostas invadem camisas, estádios e redes sociais, alguns dos maiores nomes do esporte mundial escolheram o lado oposto do negócio e passaram a usar a influência para alertar sobre os riscos das bets.
Entre os mais emblemáticos estão Kylian Mbappé e o brasileiro Danilo. Um vem dos subúrbios de Paris, o outro é referência de liderança da Seleção. Os dois têm em comum algo raro no futebol de hoje: a disposição de abrir mão de patrocínios milionários por convicção.
O caso de Mbappé ganhou contornos de escândalo antes mesmo da Copa do Mundo. A imagem do atacante foi usada, sem autorização, em um anúncio de uma casa de apostas que patrocina a federação francesa. Junto com os companheiros Olise, Dembélé, Cherki e Doué, o craque formalizou uma reclamação oficial e deixou clara a posição: não quer qualquer associação com esse tipo de campanha.
Mas o posicionamento de Mbappé vai além da indignação pontual. “Muitos de nós viemos de bairros onde essas coisas destruíram muita gente. Eu mesmo conheço pessoas que sofreram”, disse o jogador, que cresceu em Bondy, na periferia parisiense. Segundo ele, responsabilidade social pesa mais do que retorno financeiro na hora de escolher um patrocinador.
Já Danilo se posicionou ao aderir ao movimento “Block no Tigrinho”, que denuncia os impactos das plataformas de apostas online. Ao compartilhar o vídeo da campanha em suas redes sociais, o lateral do Brasil se juntou a um coro que reúne nomes como Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola e Camila Pitanga.
O movimento tenta minimizar os efeitos da presença massiva das bets no futebol brasileiro. Em 2025, todos os 20 clubes que participaram da Série A do Campeonato Brasileiro tinham, ao menos, uma empresa de bet na camisa. Nesse mesmo ano, as empresas do segmento de apostas esportivas aportaram R$ 1,4 bilhão em TV aberta, TV paga, rádio e streaming, segundo o relatório “Investimentos Bets 2025 – Análise Estratégica do Setor de Apostas Esportivas”, elaborado pela plataforma Tunad.
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