- Cinco jogadores da seleção brasileira de flag football foram afastados após o vazamento de mensagens com teor misógino, atribuídas a eles.
- As conversas, obtidas pelo jornal O Globo, teriam acontecido durante um evento no México que reuniu seleções masculinas e femininas.
- O episódio envolveu ataques a jogadoras e integrantes da comissão técnica, com referências desrespeitosas e até menções a violência.
- Clubes ligados ao flag football anunciaram medidas, incluindo o afastamento temporário de alguns atletas, seguindo orientações da CBFA.
- A CBFA informou que procedimentos são sigilosos e que não comentaria o caso; o Terra busca contato com as partes envolvidas para informações adicionais.
Após o vazamento de mensagens atribuídas a cinco atletas da seleção brasileira de flag football, todos foram afastados da equipe. O material, obtido pelo jornal O Globo, envolve comentários misoginos dirigidos a jogadoras da seleção feminina e a integrantes do staff da CBFA.
Os nomes citados no material seriam João Pedro Chermont, Vitor Pedalada Paiva, Nicolas Quadro, Matheus Viza Duarte de Oliveira e Felipe Aymoré. As conversas teriam ocorrido após um episódio de traição envolvendo um atleta, registrado em vídeo, segundo o jornal. Ao retorno ao Brasil, foi possível acessar as gravações e as mensagens do grupo.
O episódio teria ocorrido durante evento no México que reuniu seleções masculina e feminina. A namorada do atleta, ao tomar conhecimento das gravações, reagiu e repassou o conteúdo. Em seguida, houve a retirada dos perfis dos envolvidos das redes sociais e a divulgação de nomes fictícios a algumas jogadoras.
Trechos de teor violento e misogínio
Em uma mensagem, Vitor se refere a uma jogadora com ofensas e menciona agressões físicas. Em outra passagem, ele sugere violência contra as namoradas. O grupo utiliza termos depreciativos para se referir a mulheres ao longo das conversas.
Há ainda referência a uma boate em Florianópolis com comentário que associa o local a ações criminosas e menções a público menor de idade. Em trecho adicional, o grupo discute uma lista de mulheres e menciona a possibilidade de violência, citando inclusive a vice-presidente da CBFA, Rakel Barros, de forma ofensiva.
Uma ex-namorada de Vitor Paiva relatou ao jornal ter sido vítima de agressões e afirmou ter sido desencorajada a tornar o caso público para não manchar a imagem do atleta. A reportagem aponta que o atleta pediu desculpas por uma agressão anterior e manifestou preocupação com a exposição futura.
Panorama do esporte e impactos
O caso chega às vésperas do Mundial de flag football, em agosto, em Düsseldorf, Alemanha. A modalidade cresce no país e fará sua estreia olímpica em 2028, em Los Angeles. O flag football é uma versão sem contato intenso, com a retirada das fitas presas à cintura para derrubar o jogador.
Entre os cinco atletas citados, todos eram titulares da seleção brasileira. As mensagens nomeiam jogadoras, técnicos e profissionais da federação, como nutricionista, médica e fisioterapeuta. A presidente CBFA Cris Kagiwara também é alvo de críticas no material.
Reações institucionais
Cris Kajiwara, da CBFA, foi procurada pelo O Globo, mas não comentou o caso. Em nota oficial, a CBFA informou que não tem manifestação no momento e que eventuais medidas tramitam em sigilo. A nota ressalta que divulgar informações protegidas pode gerar responsabilização.
Clubes adotam medidas
Diversas equipes e entidades adotaram posicionamentos, com afastamento de alguns atletas. O Brasília Pilots, que conta com atletas da seleção feminina, afirmou que não há espaço para discriminação ou violência contra mulheres no esporte. O Vasco Almirantes confirmou o afastamento de Vitor Paiva e Chermont.
O Flag Kings, time de Matheus Duarte Oliveira, também anunciou o afastamento temporário. A instituição informou que seguirá as medidas cautelares da CBFA, incluindo suspensão preventiva até o fim das investigações, sem admitir culpa. O Terra aguarda resposta da CBFA e busca ouvir a defesa dos atletas.
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