- O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem estreitado laços com autoridades dos Estados Unidos, com encontros em Miami com o diretor do FBI, Kash Patel, e com a procuradora-geral Pam Bondi.
- O Mundial de Clubes será realizado nos EUA a partir de 14 de junho, período em que ocorreram as reuniões recentes.
- Infantino manteve contatos com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçando a relação com figuras políticas norte-americanas.
- A Fifa afirmou que as fissuras associadas ao caso Fifagate ficaram no passado e citou cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,12 bilhão) pagos a título de compensação.
- José Maria Marin cumpriu parte da pena e foi libertado em 2020; ex-presidentes Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero foram denunciados, mas não julgados pela Justiça dos EUA devido à extradição.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, intensificou os laços com autoridades dos Estados Unidos, em atuação que ganha destaque dez anos após o caso Fifagate. Encontros recentes mostram o dirigente em posição de diálogo com as autoridades norte-americanas à véspera do Mundial de Clubes nos EUA.
A agenda inclui reuniões com o diretor do FBI, Kash Patel, e com a procuradora-geral Pam Bondi, em Miami, cidade-sede da competição que começa em 14 de junho. O objetivo declarado é fortalecer a colaboração entre a entidade e o governo dos EUA, segundo fontes próximas.
Relação com autoridades americanas
No contexto anterior, o Fifagate envolveu prisões de dirigentes da Fifa em 2015, incluindo José Maria Marin, então presidente da CBF. O caso revelou esquema de subornos envolvendo direitos de transmissão e marketing de competições, como eliminatórias da Copa e a Liga Amplamente Comercial da América do Norte e Sul.
Infantino mantém, recentemente, maior proximidade com o governo americano, incluindo encontros com o ex-presidente Donald Trump em diversas ocasiões. A dupla participou de reuniões na Arábia Saudita e de uma cerimônia no Qatar, associada à Copa do Mundo de 2022, em que se discute a transição de polos logísticos entre sedes.
A Fifa afirmou que as fissuras do passado ficaram para trás. Em nota, a entidade informou que autoridades que atuaram no caso em 2015 visitaram os escritórios de Miami para um encontro com a liderança e para tratar de parceria de alto nível entre as partes.
Panorama financeiro e histórico
A organização ressaltou que, na época dos desdobramentos, houve compensação de cerca de US$ 200 milhões a entidades atingidas, entre elas a Fifa, a Concacaf e a Conmebol. O montante foi apresentado como reparação pelas perdas decorrentes do escândalo, ainda sem apuração de valores exatos para todo o rombo.
O caso Marin, que abriu a linha de investigações, se tornou símbolo de corrupção sistêmica no futebol, levando à condenação de vários dirigentes e à necessidade de reformas institucionais. Marin cumpriu parte da pena nos Estados Unidos, com a libertação ocorrida em 2020, em razão de questões de saúde e idade.
Entre os ex-presidentes que enfrentaram denúncias, estão Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, que, por leis nacionais, não foram extraditados. A sequência de desdobramentos reafirma a complexidade das ações legais envolvendo a gestão do futebol mundial.
Entre na conversa da comunidade