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Grêmio: trajetória das cores azul, preto e branco desde a fundação

Da substituição do havana pelo preto à consolidação de azul-marinho, preto e branco, a linha do tempo aponta a identidade estável do Grêmio

As cores do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense passaram por transformações até se consolidarem como tricolores. (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)
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  • O Grêmio foi fundado em 15 de setembro de 1903, com azul-celeste e havana; ata de 30 de setembro de 1903 definiu o uniforme: camisa azul e havana, gravata branca, boné preto, calções e meias pretas.
  • A influência europeia, especialmente do HamburgerSV, ajudou a moldar a identidade do clube, associando-se à ideia de azul, preto e branco.
  • Por necessidade prática, o havana foi substituído pelo preto, surgindo o trio de cores: azul, preto e branco.
  • A definição definitiva ocorreu ao longo de décadas: 1904 uniforme dividido azul e preto; 1928 listras verticais azul, preto e branco; 1946 azul-marinho como tom principal; 1954 preto oficializado como cor secundária; consolidação em 1979.
  • O escudo e a bandeira acompanharam a evolução cromática, com ajustes ao longo do tempo; as cores passaram a ganhar significados como grandeza (azul-marinho), força (preto) e equilíbrio (branco).

O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense tem mais de um século de história associada às suas cores. Fundado em 15 de setembro de 1903, o clube não começou com o conjunto atual azul, preto e branco. Na ocasião, escolheu azul-celeste e havana, tonalidade de marrom claro comum na época. A ata de 30 de setembro de 1903 oficializou o uniforme: camisa listrada em azul e havana, gravata branca, boné preto e calções e meias pretas.

A influência europeia marcou os primeiros passos do Grêmio. Clubes como o Hamburger SV, da Alemanha, serviram de referência para alguns fundadores. Curiosamente, o Hamburguer tinha azul, preto e branco — cores que o Grêmio adotaria de forma definitiva anos depois. Esse paralelo ganhou peso simbólico em 1983, quando os dois clubes se enfrentaram na final da Copa Intercontinental.

Da mudança prática à identidade sólida

A substituição do havana pelo preto ocorreu por necessidade prática: o tecido havana era difícil de encontrar em Porto Alegre, encarecendo a manutenção do uniforme. A mudança não foi planejada como definitiva, mas acabou se tornando a norma. Assim, o clube passou a trabalhar com as três cores: azul, preto e branco.

O desenvolvimento das cores seguiu um caminho gradual. Em 1904 houve um uniforme dividido entre azul e preto; em 1928 o Grêmio adotou as listras verticais azuis, pretas e brancas, marco que persiste como marca visual principal. Em 1946 o azul-marinho tornou-se o tom dominante, e em 1954 o preto ficou estabelecido como cor secundária. Em 1979, a combinação final azul-marinho, preto e branco ficou consolidada.

Significados, escudo e bandeira

Com o tempo, as cores adquiriram significados: azul-marinho passou a simbolizar grandeza e tradição, o preto remete à força e combatividade, e o branco à paz e lealdade esportiva. O escudo acompanhou esse amadurecimento cromático: após passagens simples, ganhou formato de bola de futebol e, em 1963, passou a exibir o nome Grêmio no centro. Nos anos 1980, contornos brancos e pretos reforçaram a identidade tricolor.

A bandeira do Grêmio teve mudanças legais e estéticas. Originalmente horizontal com azul, preto e branco, em 1918 adotou formato inspirado na bandeira brasileira, com o verde substituído pelo azul. Em 1947, uma lei federal proibiu clubes de imitarem símbolos nacionais, levando à adoção do modelo atual de 1963, com inspiração britânica, mantendo as cores tricolores.

A cor como história de resistência

As cores gremistas entraram também na vida esportiva do estado. Nos anos 1940, diante da superioridade do Internacional, o Grêmio buscou reforçar sua identidade por meio de símbolos e cores. Já nas décadas de 1970, a torcida organizada Coligay ampliou o significado do espaço do estádio, cantando as sete cores do arco-íris, sem cancelar o azul, preto e branco oficiais. Assim, a história das cores é também de adaptação e afirmação identitária ao longo de mais de 100 anos.

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