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Além de Senegal e Marrocos: Os maiores casos de revogação de títulos no futebol

Corrupção é o principal motivo que levaram times a perderem seus troféus

Foto: Divulgação/Juventus

Na última terça-feira (17), a Confederação Africana de Futebol (CAF) revogou o título de Senegal na Copa Africana de Nações de 2025 e o repassou ao rival Marrocos. O jogo foi marcado por polêmicas, como um gol anulado de Senegal e um pênalti para Marrocos pouco antes do fim, o que levou a seleção senegalesa […]

Na última terça-feira (17), a Confederação Africana de Futebol (CAF) revogou o título de Senegal na Copa Africana de Nações de 2025 e o repassou ao rival Marrocos.

O jogo foi marcado por polêmicas, como um gol anulado de Senegal e um pênalti para Marrocos pouco antes do fim, o que levou a seleção senegalesa a deixar o campo em protesto e retornar depois, quando garantiu a vitória por 1 a 0.

Dois meses depois, porém, a decisão foi revertida. A entidade afirmou que a medida se baseou nos artigos 82 e 84 do regulamento da Copa Africana de Nações.

Casos de revogação de títulos são raros, mas não impossíveis no futebol, e embora o episódio envolvendo seleções e abandono em protesto seja incomum, outras situações já tiraram títulos de clubes ou ainda geram debate sobre quem é o verdadeiro campeão.

1. Juventus – 2005 e 2006

Um dos casos mais emblemáticos de títulos revogados envolve o clube italiano Juventus, em um escândalo de corrupção que ficou conhecido como Calciopoli.

Nos anos de 2005 e 2006, a equipe dominou o futebol italiano e conquistou duas vezes seguidas a Série A do Campeonato Italiano. Porém, ainda em 2005, uma investigação começou a apontar que o clube havia influenciado a arbitragem da competição.

O esquema tinha como principal figura o diretor do clube, Luciano Moggi, que buscava favorecer a equipe em jogos decisivos. Na prática, dirigentes entravam em contato com responsáveis pela arbitragem para influenciar a escolha dos árbitros, o que criava um ambiente de favorecimento indireto.

Um ano após o primeiro título, em 2006, ficou comprovado que não houve manipulação direta de resultados, mas sim uma influência estrutural no sistema que favoreceu o clube.

Com isso, a Federação Italiana (FIGC) julgou o caso e aplicou diversas punições ao clube, entre elas o rebaixamento para a Série B com perda de pontos, a começar com -9, o banimento de dirigentes do futebol, além de multas e, por fim, a revogação dos títulos das temporadas 2004-2005 e 2005-2006.

O primeiro campeonato foi apenas revogado, enquanto o de 2005-2006 foi atribuído à Internazionale de Milão, que disputava o título na época e tinha no elenco o brasileiro Adriano Imperador.

2. Sport e Flamengo – 1987

A definição do campeão brasileiro de 1987 segue envolta em polêmicas e discussões até hoje, mas, para entender o caso, é preciso considerar o contexto do futebol brasileiro na época.

A Confederação Brasileira de Futebol enfrentava uma grave crise financeira e declarou não ter condições de organizar o Campeonato Brasileiro naquele ano.

Com isso, foi criado o Clube dos 13, que reuniu os principais times do país para disputar a chamada Copa União. Ao mesmo tempo, a CBF não abriu mão do seu torneio e organizou outra competição, com clubes fora da Copa União.

Ao final, foi definido um modelo híbrido com dois módulos: o Verde, organizado pelo Clube dos 13, e o Amarelo, sob responsabilidade da CBF, que reunia os demais clubes. No Módulo Verde, o Flamengo venceu o Internacional na final, enquanto a decisão do Módulo Amarelo terminou empatada.

Pelas regras, campeões e vices de cada módulo disputariam um quadrangular para definir o campeão brasileiro, mas o Clube dos 13 ignorou o acordo, declarou o Flamengo como campeão e não participou da fase final, enquanto o Sport venceu o Guarani na decisão organizada pela CBF.

A definição de quem ficou com o título veio décadas depois, em 2017, quando o Supremo Tribunal Federal rejeitou os recursos do Flamengo e manteve o Sport como único campeão brasileiro de 1987.

3. Olympique de Marseille – 1993

No início dos anos 1990, o Olympique de Marseille era o principal time da França. Desde a chegada de Bernard Tapie à presidência, em 1986, o clube passou a receber investimentos pesados, que fortaleceram a equipe e levaram a conquistas.

Na temporada europeia de 1992-1993, isso ficou ainda mais evidente, já que o clube caminhava para o título francês e fazia ótima campanha na Liga dos Campeões, onde, ao fim, enfrentaria o Milan na decisão.

Dias antes da decisão da Champions, porém, o time enfrentaria o Valenciennes e, em caso de vitória, deixaria o título praticamente encaminhado. Ainda assim, com a final pela frente, tentou poupar jogadores e, ao mesmo tempo, garantir o resultado ao tentar subornar o adversário.

Antes da partida, dirigentes do Marseille entraram em contato com jogadores do Valenciennes e ofereceram dinheiro para que eles “facilitassem” o jogo. Alguns aceitaram e, ao final, o Marseille venceu por 1 a 0.

Um jogador, porém, recusou a proposta e denunciou o esquema: o zagueiro Jacques Glassmann. Após investigação, ficou comprovada a manipulação por parte do Olympique, o que levou ao rebaixamento do clube e à revogação do título, que seria repassado ao Paris Saint-Germain, mas acabou recusado pela equipe.

A decisão saiu meses após a final da Champions, quando o Marseille venceu o Milan por 1 a 0 e se tornou o primeiro clube francês a conquistar o torneio, mesmo sob investigação.

A única punição relacionada ao caso foi o banimento do clube das competições europeias na temporada seguinte, além da perda do direito de disputar a Supercopa da UEFA e a Copa Intercontinental, que passaram a ser disputadas pelo Milan.

4. Torino – 1927

Um dos casos mais antigos de corrupção no futebol ocorreu em 1927, no Campeonato Italiano, quando o Torino havia sido campeão. A Itália vivia a ditadura fascista, que viu no futebol uma forma de se fortalecer e usá-lo como instrumento nacional, o que ampliou a liga e incluiu mais clubes.

Naquele período, o Torino era uma das principais forças do país, em crescimento e com grande destaque no campeonato, impulsionado pelo chamado “Trio das Maravilhas”, formado por Julio Libonatti, Adolfo Baloncieri e Gino Rossetti.

Ao final, a equipe terminou em primeiro lugar após vencer o Bologna, mas, semanas depois, passou a ser investigada por suborno em um jogo contra a Juventus, decisivo para a conquista do título.

Ficou comprovado que o clube articulou uma tentativa de suborno ao defensor da Juventus, Luigi Allemandi, a quem teria oferecido entre 25 mil e 50 mil liras para facilitar o jogo. A princípio, houve controvérsia, já que a atuação do jogador foi elogiada na partida, mas a própria negociação, independentemente de ter sido cumprida, já foi suficiente para punir o Torino.

Após investigações da Federação Italiana (FIGC), o título foi revogado e seria repassado ao Bologna, que optou por não aceitá-lo por causa da ligação entre dirigentes da federação e a cidade, o que poderia gerar suspeitas.

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