- Euroconsumers e a rede Football Supporters Europe apresentaram queixa formal à Comissão Europeia acusando a FIFA de abuso de poder de mercado nas vendas de ingressos da Copa do Mundo de 2026.
- A FIFA, organizadora e única vendedora no mercado primário, aplica preços variáveis que elevam o custo; o ingresso final mais barato começa em US$ 4.185 (€ 3.611), mais de sete vezes o preço mais barato da Copa de 2022.
- A FIFA afirmou à Euronews que ainda não recebeu a queixa formal e não comentou; afirmou estar focada em acesso justo e que as receitas são reinvestidas pelas 211 associações membros.
- Críticos destacam que o preço dinâmico pode gerar grandes diferenças entre torcedores, com aumentos de cerca de 25% entre fases de venda e ingressos da Categoria 1 subindo US$ 250.
- A queixa também aponta publicidade enganosa e as taxas do marketplace de revenda da FIFA, de 15% para comprador e vendedor, argumentando que isso prejudica os consumidores e pede transparência e a suspensão do preço dinâmico.
Euroconsumers e a rede Football Supporters Europe (FSE) apresentaram uma queixa formal à Comissão Europeia, acusando a FIFA de abuso de posição dominante na venda de ingressos da Copa do Mundo de 2026. A entidade atuando como organizadora única e vendedora autorizada no mercado primário detém grande controle sobre os bilhetes.
A reclamação aponta preços elevados e falta de transparência no sistema de venda. O ingresso final mais barato aparece por cerca de 4.185 dólares (4.185 USD), equivalente a cerca de 3.611 euros, mais de sete vezes o valor do ingresso mais barato da Copa de 2022. A FIFA afirmou à Euronews que ainda não recebeu a queixa formal para comentar.
A FIFA acrescentou que se mantém dedicada a garantir acesso justo aos torcedores atuais e potenciais, e que, por ser organização sem fins lucrativos, as receitas da Copa do Mundo são reinvestidas entre suas 211 federações associadas. A entidade não confirmou nem negou as alegações da queixa.
A prática de precificação dinâmica, que a FIFA chama de “preços variáveis”, pode modificar o valor dos ingressos conforme demanda e disponibilidade. Uma investigação do The Athletic indicou alta de cerca de 25% nos preços para jogos no México e Canadá entre fases de venda, além de um aumento de 250 dólares no ingresso da Categoria 1 entre outubro e novembro.
Els Bruggeman, chefe de políticas da Euroconsumers, afirma que a precificação dinâmica é injusta para os torcedores e que o valor pago nem sempre guarda relação com o assento recebido. Ela cita que torcedores podem pagar bem mais ou menos, dependendo de quando entram na fila digital.
Motivações e próximos passos
A Euroconsumers argumenta pela proibição da precificação dinâmica em eventos ao vivo, citando desequilíbrio entre oferta limitada e demanda elevada. A parceria com a FSE influenciou a apresentação da queixa à Comissão Europeia, segundo Bruggeman, que disse ter observado impactos do modelo de preços desde o anúncio inicial da FIFA.
A denúncia também envolve suposto uso de publicidade enganosa, conforme alegado pela Euroconsumers, sem referência a fontes externas. Em fase anterior, a FIFA anunciou a venda de ingressos para a fase de grupos a partir de 60 dólares, valor que, segundo o grupo, não refletiu a realidade de grande parte dos compradores no lançamento das vendas.
Outro ponto discutido é a plataforma de revendação oficial da FIFA, que cobra 15% de taxa tanto do comprador quanto do vendedor. A comissão europeia informou ter recebido a queixa e que o caso será avaliado pelos procedimentos padrão. A decisão pode influenciar o andamento das vendas para a Copa de 2026, que terá início em junho.
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