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Órgão do Ministério do Esporte aponta restrição a investidores na FFU

Secretaria de Futebol aponta restrições a investidores em ligas, alertando para risco de perda de autonomia dos clubes

— Foto: Paulo Paiva/Sport
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  • A Secretaria de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte enviou nota técnica, em 24 de março, apontando irregularidades na FFU (Futebol Forte União) e restrições à presença de entidades financeiras nas ligas desportivas.
  • O documento foi divulgado pelo Estadão e confirmado pelo ge, e foi elaborado a pedido do deputado Beto Pereira (PSDB-MS), que citou carta de clubes da Série B criticando a FFU.
  • Há preocupação com a participação de um investidor externo que comprou parcelas de direitos de transmissão por 50 anos, por R$ 2,6 bilhões, segundo apuração dos associados.
  • A nota sustenta que a cessão de direitos a investidores financeiros fere a Lei Geral do Esporte e a Constituição, e que poder de veto de investidores sobre decisões de múltiplos clubes pode violar o ordenamento jurídico.
  • O texto aponta risco de perda de autonomia dos clubes e potencial comprometimento da integridade das competições, recomendando atenção prioritária do poder público; a FFU contestou, defendendo a legalidade e a autonomia dos clubes.

A Secretaria de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, órgão do Ministério do Esporte, apontou possíveis irregularidades na FFU (Futebol Forte União). Em nota técnica divulgada no dia 24 de março, o documento aponta restrições à participação de entidades financeiras nos arranjos das ligas desportivas. A manifestação foi revelada pelo Estadão e verificada pelo ge.

A análise foi solicitada pelo deputado federal Beto Pereira (PSDB-MS), que integra a Comissão de Esporte da Câmara. Ele informou aos técnicos da secretaria sobre a movimentação de clubes da Série B, que publicaram uma carta expressando indignação com os negócios da FFU.

A nota técnica trata da presença de um investidor externo que comprou parcelas de direitos de transmissão por 50 anos, por R$ 2,6 bilhões. Segundo os associados, esse fundo exerce influência em decisões que deveriam ser tomadas pelos clubes.

Conforme o documento, a participação de entidades financeiras encontra limites na Lei Geral do Esporte e na Constituição. O artigo 160 da LGE restringe a cessão de direitos a organizações reguladoras da modalidade, excluindo investidores financeiros.

Outro ponto destacado é que arranjos que dão poder de veto a investidores sobre decisões estratégicas de múltiplos clubes apresentam risco de incompatibilidade com o ordenamento jurídico. O texto cita risco de perda de autonomia dos clubes.

Ao final, a nota técnica recomenda atenção prioritária do poder público. O objetivo é evitar impactos na integridade das competições e na autonomia dos clubes ao negociarem direitos por prazos longos.

O Condomínio FFU, responsável pelas negociações comerciais do bloco, respondeu por meio de assessoria de imprensa. A entidade afirma que o negócio celebrado está em conformidade com a legislação brasileira.

Segundo a FFU, os direitos comerciais são patrimônios disponíveis dos clubes e o modelo não compromete autonomia nem a organização das competições. A governança seria voltada à participação direta dos clubes na comercialização.

A assessoria também sustenta que o formato respeita práticas internacionais e que gerou a maior receita já registrada pela venda de direitos de arena. As informações foram obtidas por meio de nota oficial da FFU.

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