- O Esporte Clube Originários será formado apenas por jogadores de origem indígena e vai disputar a Série C do Carioca pela primeira vez no país.
- A estreia ocorre no Estádio Municipal João Saldanha, em Ponta Negra (Maricá), no dia três de maio, contra o Barcelona.
- O registro do clube custaria R$ 1,3 milhão; o Originários fechou acordo com o Ceres para entrar na competição.
- Tupã Nunes, cacique da Aldeia Mata Verde Bonita e presidente do clube, comanda um elenco com jogadores de pelo menos quinze etnias diferentes.
- Planos de jogar no Maracanã no Dia do Orgulho Indígena não se concretizaram; o time celebrou com vitória de 7 a 0 sobre o 9 de Abril em Maricá.
O Esporte Clube Originários, formado exclusivamente por jogadores de origem indígena, se prepara para estrear na Série C do Carioca. O clube de Maricá buscará sua primeira participação oficial na competição estadual neste ano. A estreia ocorre no dia 3 de maio contra o Barcelona.
O projeto nasceu para abrir espaço no futebol para povos indígenas e ampliar o reconhecimento histórico de comunidades marginalizadas. Tupã Nunes, cacique da Aldeia Mata Verde Bonita, é presidente do Originários e líder da iniciativa.
Aldeias de diversas etnias integram o elenco, vindas de pelo menos 14 culturas diferentes. Entre os atletas estão Guerreiros de Xekriabá, Potyguara, Pataxó, Guarani, Tupinikim, Kamaiurá, Terena e outros.
Aldeiões de Maricá respondem pela base do time, com apoio de lideranças locais. O elenco inclui jovens de origens distintas, todos com o objetivo de disputar o campeonato com regras de sub-23 e até cinco jogadores acima dessa idade.
O time enfrentou dificuldades para viabilizar tecnicamente a participação, já que o registro oficial envolve custos significativos. O Originários fechou acordo com o clube Ceres para disputar o Carioca com a ficha de Bangu.
As despesas estimadas giravam em torno de 1,3 milhão de reais, com taxas de filiação e encargos federativos. O clube busca recursos junto à prefeitura de Maricá, à Loterj e a apoiadores privados.
O estádio municipal João Saldanha, em Ponta Negra, será palco dos jogos do Originários na Série C. Até lá, o grupo treina com deslocamentos comerciais, usando ônibus escolar para ida e volta aos campos em Maricá.
Apoio institucional envolve o Instituto Terra do Saber, que atua com os Guarani Mbya de Maricá há anos. Anderson Terra, que coordena o projeto, reforça a função social do futebol como canal de cultura e inclusão.
Entre os atletas, destaca-se Edílson Karai Mirim, ponta-direita que usa pintura facial e inspira-se em jogadores de identificação com a cultura indígena. O jogador já sonha em manter a representatividade do grupo em campo.
O objetivo da equipe é competir com um estilo de jogo bem trabalhado, mantendo a identidade cultural. Segundo o treinador Huberlan Silva, o foco é mostrar arte e qualidade técnica em campo.
Apesar do entusiasmo, o sonho de realizar atividades no Maracanã não foi confirmado. O clube realizou um amistoso de celebração em Maricá, vencendo por 7 a 0 o time amador 9 de Abril, em uma data associada ao Dia do Orgulho Indígena.
O grupo enfatiza que o projeto não é apenas esportivo, mas também cultural. Tupã Nunes reforça a importância de demonstrar ao país que povos indígenas podem prosperar no futebol com reconhecimento e respeito.
O Originários planeja ampliar o projeto com perspectivas futuras, incluindo a criação de um time feminino e a continuidade de ações para promover a diversidade no esporte, com foco em protagonismo indígena.
Entre na conversa da comunidade