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Levante contra a solidão: por que ultras do futebol viraram obsessão cultural

Documentário esclarece raízes globais das ultras, movimento de torcidas que oferece pertencimento e sentido, mas convive com violência e atividade criminosa

IFK Göteborg fans in Ragnhild Ekner’s documentary Ultras.
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  • O documentário Ultras, de Ragnhild Ekner, acompanha torcidas ultrass, em países como Suécia, Indonésia, Polônia, Argentina, Inglaterra, Egito e Marrocos, buscando as raízes desse movimento.
  • Ulras são torcedores conhecidos por grandes displays, lealdade intensa e uma ascensão global desde os anos sessenta.
  • O filme destaca contradições: sensação de pertença, rituais quase religiosos e, ao mesmo tempo, violência e criminalidade associadas a parte do movimento.
  • A atração pelos ultras é vista, em parte, como resposta ao desligamento da modernidade do futebol — ligação com a cidade, identidade e paixão frente a clubes cada vez mais mercadejados.
  • O texto também aponta o papel político e social dos ultras, que já estiveram relacionados a movimentos de oposição e a dinâmicas de poder, além de ter ligações com atividades ilícitas em alguns contextos.

Um documentário de 90 minutos da diretora Ragnhild Ekner percorre Suécia, Indonésia, Polônia, Argentina, Inglaterra, Egito e Marrocos para entender as raízes do movimento Ultra no futebol. O filme analisa como os ultras passaram de uma subcultura italiana a uma obsessão cultural global.

Ultras são torcedores conhecidos por coreografias, cantos e fidelidade coletiva. A obra mostra como, em várias regiões, a presença de torcidas organiza identidades, pertencimento e ritual. Narrativas de fãs apontam para uma sensação de comunidade em meio à atomização da sociedade.

A produção questiona o que atrai esse público, destacando o papel de paixão, risco e rivalidade. São apresentadas cenas de multidões em marcha, cânticos e celebração, enfatizando a dimensão comunitária que os torcedores associam ao ambiente do estádio.

Origens e dilemas

O filme aborda contradições: mulheres em torcidas, exclusões em alguns estádios e a participação de jovens em cenários mais abertos em outros países. Também discute como a violência pode ser estética, verbal ou física, sem adotar tom crítico.

Além disso, o documentário aponta o vínculo entre ultras e questões políticas, incluindo a participação em movimentos sociais e episódios de repressão. A narrativa destaca o papel histórico de torcidas em contextos de protesto e resistência.

Criminalidade, religião e identidade

A obra apresenta a relação entre o aspecto religioso e o vocabulário propio dos ultras, como fé, presença e devoção. Mesmo com o apelo de pertencimento, surgem referências a atividades criminosas ligadas a algumas lideranças, em paralelo a ações de solidariedade entre membros.

O filme sugere que o apelo emocional dos ultras sustenta uma visão de mundo que mistura nostalgia, outlaw culture e ritual. Há ainda referências a práticas históricas de rivalidade entre grupos e à proteção de símbolos de cada torcida.

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