- A FAF captou mais de R$ 6 milhões em emendas parlamentares no ano passado e teve recursos da CBF em 2024 de cerca de R$ 2,19 milhões, somando com custos de arbitragem.
- Felipe de Omena Feijó, 35, é presidente da FAF há 12 anos e atua em paralelo como dirigente na CBF; seus mecanismos de gestão passam por institutos privados vinculados à FAF (IFPP e IFAGP).
- Os institutos privados passaram a gerenciar parte das receitas da FAF, com ciclos de planejamento e fomento entre 2024 e 2026; a FAF afirma que não houve vínculos institucionais diretos com outras entidades.
- Empréstimos realizados pelo presidente à FAF, em 2023 e 2024, totalizam cerca de R$ 1,027 milhão; a irmã dele, Mariana Feijó, também integrou operações financeiras via empresa de agenciamento de atletas, somando cerca de R$ 160 mil.
- O Ministério Público do Maranhão já denunciou estrutura similar como “fraude” e “estrutura artificial destinada a contornar controles financeiros”, apontando falta de transparência e irregularidades contábeis.
O artigo analisa como a Federação Alagoana de Futebol FAF tem movimentado recursos públicos por meio de estruturas privadas ligadas à sua gestão. A apuração aponta uso de emendas e convênios que chegaram a milhões de reais no estado de Alagoas, com debates sobre transparência.
Felipe de Omena Feijó, hoje com 35 anos, comanda a FAF há 12 anos e já ocupou cargos na CBF. Seu histórico envolve a criação de institutos privados que teriam funcionado como canais de captação de recursos, com a alimentação de fluxos financeiros da federação.
A reportagem apura ainda vínculos com o IFPP Institute FAF de Potencial Pleno e com o IFAGP Instituto FAF de Aprimoramento, Gerenciamento e Pesquisa. Esses institutos passaram a colaborar com a federação para promover projetos esportivos.
Estrutura paralela e governança
OIFPP, criado dois anos após a assunção de Feijó, tem a FAF como sócia instituidora. O objetivo declarado é gerenciar recursos para ações esportivas, mas especialistas questionam a clareza de governança entre federativa e instituto privado.
Em 2024, o IFAGP, ligado ao IFPP, manteve vínculos com a FAF, até que, em 2024/2025, o IFAGP se desvinculou do órgão, mantendo operações via FAF e IFPP. O uso de institutos privados para gerir verbas da federação é alvo de debate sobre transparência.
Emendas, convênios e repasses
A FAF recebeu R$ 6,3 milhões em emendas de deputados estaduais em 2024, conforme LAI. Outros recursos vieram via repasses da CBF, além de convênios com entidades como a FUNDEPE, totalizando valores expressivos destinados a base, competições e transmissão de jogos.
Em 2024, houve repasse de R$ 2,19 milhões da CBF para a FAF, somado a R$ 207 mil referente à arbitragem. Emendas de parlamentares também financiaram ações vinculadas ao IFPP e IFAGP.
Dívidas, empréstimos e respostas
O relatório financeiro de 2024 aponta empréstimos feitos pelo presidente Feijó à FAF, somando mais de R$ 1 milhão entre 2023 e 2024. Famílias envolvidas, como a irmã, aparecem em operações vinculadas a empresas de gestão de atletas.
A FAF afirmou que o IFPP é uma entidade independente, sem vínculo de propriedade ou patrimônio pessoal dos dirigentes. A nota ressalta que recursos são vinculados a planos de trabalho e parcerias formais.
O que diz a FAF e o Ministério Público
A FAF indicou que a relação com IFPP é de cooperação entre pessoas jurídicas distintas, com governança compartilhada. Emendas e planos de ação são apresentados de forma regular, seguindo trâmites institucionais.
O Ministério Público do Maranhão já apontou falhas de transparência em casos similares envolvendo estruturas paralelas em federações, destacando a necessidade de melhores controles para evitar falta de prestação de contas.
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