- A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube recomendou, por unanimidade, o afastamento do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Junior, após apurar manobras para alterar o estatuto e abrir espaço para a criação de uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF).
- A acusação aponta abuso de poder e desvio de finalidade, caracterizando gestão temerária e irregular.
- A reportada alteração estatutária buscaria deliberar sobre a SAF e a separação do departamento de futebol, com indícios de que o rito estatutário não foi seguido corretamente.
- Há indícios de falsidade ideológica, com documento que apresentava parecer favorável com data anterior e e-mail de secretário afirmando que não houve reunião do conselho consultivo sobre o tema. A comissão aponta discrepâncias entre o conteúdo e a realidade dos fatos.
- Próximos passos: pode ser votado o afastamento cautelar de 120 dias, e, se dois terços (170 membros) aprovarem, há julgamento em julho que pode resultar na exclusão de Olten. O dirigente afirmou ter seguido o estatuto e que parecer atrasado perdeu efeitos.
A Comissão de Ética do São Paulo Futebol Clube decidiu, por unanimidade, recomendar o afastamento do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Junior. A medida ocorreu nesta quarta-feira (29) após análise de documentos que indicam manobras para alterar o estatuto envolvendo a adesão a uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF). A decisão visa apurar abuso de poder e desvio de finalidade, segundo relato da comissão.
Documentos obtidos pelo SBT News apontam que o atual presidente do clube, Harry Massis Junior, descreveu a conduta de Olten como abusiva e irregular, sugerindo gestão temerária. O material indica que, em dezembro de 2025, ainda sob a gestão de Júlio Casares, houve a abertura de procedimento para alterações estatutárias para tratar de assuntos estratégicos, como SAF e a separação do departamento de futebol.
Ações administrativas e controvérsias
Segundo as acusações, Olten devolveu um parecer jurídico contrário à proposta de mudança estatutária, alegando que o expediente havia perdido os efeitos. Ainda conforme os documentos, ele nomeou uma nova comissão para analisar a matéria, o que é visto como tentativa de reorganizar instâncias para obter resultado favorável.
Indícios de falsidade ideológica aparecem em documentos que traziam parecer positivo às alterações com data anterior. Um e-mail do secretário do Conselho Consultivo a Olten, em 24 de abril, indicou que não houve reunião ou deliberação do Conselho Consultivo sobre o tema, apenas conversas informais com alguns conselheiros.
Próximos passos institucionais
Fontes internas dizem que, nas próximas duas semanas, será votado o afastamento cautelar por 120 dias. Se dois terços dos conselheiros (170 membros) aprovarem, um julgamento está previsto para julho, com possível exclusão de Olten dos quadros do clube.
O gabinete de Olten informou que o protocolo seguiu o estatuto. O dirigente afirmou que o parecer deveria ter sido enviado em até 30 dias, mas foi elaborado cerca de 100 dias após, o que, segundo ele, estaria fora do prazo. Sobre as acusações de falsidade ideológica, Olten disse que não tem relação com o tema e que o assunto será esclarecido com advogados.
Entre na conversa da comunidade