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MP denuncia torcedor argentino por racismo no Mineirão e pede indenização

MPMG denuncia torcedor argentino por racismo no Mineirão; pede indenização de ao menos dez salários mínimos e suspensão de direitos políticos por dois anos

Nahuel Jeremias Maldonado responde em liberdade e usa tornozeleira
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  • O Ministério Público de Minas Gerais denunciou o torcedor argentino Nahuel Jeremias Maldonado, de 29 anos, por racismo após a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors no Mineirão.
  • O incidente ocorreu na região da Pampulha, durante o jogo pela Libertadores, na noite de terça-feira (28). Maldonado estaria no setor da torcida visitante e teria feito gestos de cunho racial direcionados à torcida brasileira.
  • Testemunha disse que o acusado passou a mão no próprio braço, simulando as orelhas para frente e associando-se à pele brasileira, gesto interpretado como macaco.
  • A denúncia foi apresentada pela 18ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Igualdade Racial, Apoio Comunitário e Controle Externo da Atividade Policial de Belo Horizonte.
  • O MP pediu que, em caso de condenação, Maldonado pague indenização de ao menos 10 salários mínimos por danos morais à coletividade, tenha direitos políticos suspensos e seja proibido de frequentar locais de jogos oficiais em Minas Gerais por dois anos; não houve acordo de não persecução penal.

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou Nahuel Jeremias Maldonado, torcedor argentino de 29 anos, por racismo. O caso ocorreu durante a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, pela Libertadores, na noite de 28 de abril, no Mineirão, em Belo Horizonte. Segundo a denúncia, o torcedor estava na torcida visitante, próximo à Tribuna de Imprensa, e proferiu gestos racistas contra a torcida brasileira.

Uma testemunha descreve que Maldonado passou a mão no próprio braço, simulando a cor da pele brasileira, e projetou as orelhas para frente, gesto interpretado como macaco. A Promotoria esclarece que tais condutas configuram formas de animalização de pessoas com base em características raciais.

A denúncia tramita na 18ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Igualdade Racial, Apoio Comunitário e Controle Externo da Atividade Policial de Belo Horizonte. O promotor Angelo Alexandre Marzano sustenta que o ato, em ambiente público e num contexto esportivo, agravou a repercussão e feriu a dignidade da coletividade.

Contexto e pedidos

O Ministério Público requer a condenação de Maldonado a indenização de pelo menos 10 salários mínimos por danos morais à coletividade, caso haja condenação. Também solicita a suspensão dos direitos políticos do torcedor e a proibição de frequentar estádios de futebol em Minas Gerais por dois anos.

Foi descartada a possibilidade de acordo de não persecução penal, ou suspensão condicional do processo. A promotoria cita entendimento do STF que restringe acordos desse tipo em crimes raciais, destacando a necessidade de reprovação específica para esse tipo de conduta discriminatória.

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