- Do céu ao abismo: Tupi/MG afirma que não disputará a Segunda Divisão do Mineiro em 2026, após crise administrativa e financeira que levou o clube à Recuperação Judicial, suspensa pela Justiça.
- Em 2011, o Tupi foi campeão da Série D e, ao longo dos anos, teve títulos regionais e acessos, como à Série B em 2015, mas hoje não disputa calendário nacional desde 2019.
- O passivo financeiro ultrapassa os 24 milhões de reais e problemas administrativos acompanharam gestões que gastaram mais do que arrecadaram, com envolvimento de denúncias, investigações e ações trabalhistas.
- A Recuperação Judicial, antes homologada para facilitar o equacionamento de dívidas e venda de ativos (incluindo o Estádio Salles Oliveira), foi suspensa após credores contestarem o andamento do processo.
- O clube tem histórico de gestão conturbada, incluindo afastamentos, investigações e mudanças de presidência, que contribuíram para o cenário de instabilidade atual.
A carijó mineiro vive hoje o pior momento de sua história. Em 2026, o Tupi não terá calendário oficial, após desistir da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro e enfrentar uma crise administrativa e financeira que levou o clube ao isolamento esportivo e jurídico.
A equipe, conhecida como Fantasma do Mineirão, venceu a Série D em 2011 e chegou a acessos na Série C (2011 e 2013) e Série B (2015). Hoje, o Carijó acumula dívidas, processos trabalhistas e baixa governança, sem perspectiva de competição nacional no curto prazo.
Derrocada esportiva
O Tupi disputou a Série B em 2016, foi rebaixado antes do fim da competição e nunca mais voltou ao futebol nacional de alto nível. Em 2017 houve boa campanha na Série C, mas o acesso não veio; 2018 repetiu queda e, em 2019, ficou apenas na Série D, sem calendário nacional desde então.
O clube passou a disputar o Mineiro em baixa, terminando 2019 rebaixado novamente para o Módulo 2. Em 2024, o início foi promissor, porém terminou a primeira fase com 10 pontos, levando ao quarto rebaixamento em oito anos. Em 2025, chegou à Segunda Divisão de Minas, mas ficou sem vaga na edição seguinte.
Caos administrativo e financeiro
A crise tem raiz em gestões anteriores, com passivos trabalhistas e tributários elevados. A gestão de Eloísio Pereira de Siqueira, o Tiquinho, é apontada como marco crítico, com denúncias de irregularidades e disputas internas que ganharam repercussão pública.
Entre 2021 e 2023, o clube enfrentou investigações sobre a base, mudanças na presidência e disputas legais envolvendo ex-dirigentes. Em 2022, houve indiciamento por estelionato e falsidade ideológica de uma ex-presidente, alimentando o quadro de insegurança institucional.
Recuperação Judicial e SAF
O Tupi acumula mais de R$ 24 milhões em dívidas e buscou a Recuperação Judicial como saída, com perspectiva de transformar o clube em SAF. O pedido foi protocolado e aceito pela Justiça no fim de 2024, visando reequilíbrio cível, tributário e trabalhista.
Entretanto, a recuperação foi suspensa recentemente pela Justiça, após credores contestarem o prosseguimento e a orientação de manter o Estádio Salles Oliveira como ativo para viabilizar o RJ. A direção avalia os próximos passos para a reestruturação do clube.
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