- A Copa do Mundo de 2026 terá 48 seleções disputando em Canadá, Estados Unidos e México, e deve ser a mais poluente e exposta ao calor da história.
- A análise do World Weather Attribution aponta que 24% dos jogos ocorrerão em calor extremo, com El Niño possivelmente elevando temperaturas entre maio e julho de 2026.
- Jogadores de clubes e seleções do mundo assinam carta aberta pedindo atualização dos protocolos de estresse térmico e o fim de patrocínios de combustíveis fósseis.
- Entre as propostas estão reduzir o limiar de intervenção de WBGT de 32°C para 26°C, e adiar partidas se o índice ultrapassar 28°C.
- A patrocinadora Aramco, acordo de 400 milhões de dólares, aumenta a pegada de carbono; atletas cobram que a Fifa encerre patrocínio de petróleo e ajuste o calendário para reduzir impactos.
A Copa do Mundo de 2026 terá 48 seleções disputando o título em Canadá, Estados Unidos e México, iniciando em meio a debates sobre calor extremo e impactos climáticos. Estudos do World Weather Attribution apontam que 24% das partidas devem ocorrer em condições muito quentes para atletas e torcedores. O El Niño, com alta probabilidade de se formar entre maio e julho, aumenta o risco de temperaturas elevadas durante o torneio.
Enquanto isso, a organização enfrenta pressão por mudanças. A carta aberta, assinada por atletas de diversas nações, cobra atualização imediata dos protocolos de estresse térmico e o fim de patrocínios de combustíveis fósseis. Entre os signatários estão atletas de peso internacional, como Morten Thorsby, Elena Linari e Chuba Akpom, além de representantes de mais de 20 países.
A carta surge após decisões sobre o calendário e as grandes viagens entre as três sedes. Observadores destacam que Miami, Dallas e Houston aparecem entre as cidades com maior exposição ao calor. As condições climáticas elevadas podem exigir medidas de proteção ao elenco e ao público durante os jogos.
Entre as propostas, especialistas defendem reduzir o limiar de intervenção térmica de 32°C para 26°C de WBGT e adiar partidas quando o índice superar 28°C. Jogadores apoiam a adoção prática dessas diretrizes para evitar danos à saúde e ao desempenho.
O estudo de clima também traz preocupação com o cenário de junho e julho, quando o risco de fogos florestais aumenta em partes dos EUA e do Canadá. A qualidade do ar pode ficar comprometida por fumaça, mesmo longe das áreas mais afetadas.
Outra frente envolve o patrocínio da Aramco, empresa petrolífera saudita que mantém contrato com a Fifa. Em 2024, a parceria foi formalizada, ampliando a visibilidade de marcas associadas ao evento. Assinam a carta atletas que pedem o rompimento com patrocinadores de combustíveis fósseis.
Analistas apontam que a expansão para 48 seleções e a realização em três países elevam as emissões associadas a viagens e deslocamentos. Segundo os signatários, reduzir o impacto ambiental é responsabilidade do torneio e de seus organizadores.
Os atletas apontam que o enfrentamento ao calor extremo e a responsabilidade climática devem andar juntos. A carta expressa o anseio por um calendário mais enxuto e regionalizado, que beneficie atletas, torcedores e a própria organização.
O tema do calor já está em pauta antes da bola rolar. Resta saber se a Fifa e as federações associadas vão aderir às medidas propostas ou manter o status atual, com o clima como fator determinante em campo.
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