- O Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação criminal sobre as contas do Corinthians referentes a 2025, indicando que não houve crime na atuação dos conselheiros na análise dos números.
- As apurações apontavam suspeitas de falsidade ideológica, gestão temerária, omissão de agentes fiscalizadores e corrupção privada, originadas de uma representação de Romeu Tuma Júnior.
- O MP destacou que os conselheiros consultaram o Conselho de Orientação (Cori) antes da reunião, demonstrando cautela diante de dúvidas sobre a regularidade do processo.
- A investigação criminal também tratou de a participação do conselheiro Haroldo Dantas na reunião ocorrer após decisão administrativa de afastamento cautelar, apontando divergências internas e dúvidas sobre a legitimidade da presença dele.
- Ainda que arquivada a parte criminal, o Ministério Público sinalizou possível irregularidade administrativa, com o caso sendo encaminhado à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social para avaliar consequências civis e administrativas.
O Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação criminal que apurava possíveis irregularidades na aprovação das contas do Corinthians referentes ao ano de 2025. A decisão envolve a atuação de integrantes do Conselho Fiscal durante a reunião em que os números foram analisados.
Os documentos do procedimento, aos quais o UOL teve acesso, apontavam suspeitas como falsidade ideológica, gestão temerária, omissão de agentes fiscalizadores e corrupção privada. A apuração teve origem em representação apresentada por Romeu Tuma Júnior no início de maio, após a conclusão da análise das contas no fim de abril.
O MP entendeu que não há elementos suficientes para caracterizar crime na conduta dos conselheiros. A decisão destaca a ausência de intenção de fraudar documentos na avaliação das contas, segundo o órgão.
Ausência de crime e cautela institucional
Segundo o MP, os integrantes do Conselho Fiscal consultaram previamente o Cori (Conselho de Orientação) antes da reunião, o que foi visto como sinal de cautela diante de dúvidas sobre a regularidade do processo. A avaliação aponta uma incerteza institucional sobre regras internas, o que afasta a configuração de falsidade ideológica.
A investigação também revelou divergências de opinião dentro do próprio clube sobre o mesmo tema. Um procedimento anterior já havia sido arquivado, e outro resultou no afastamento cautelar de um dos integrantes do Conselho Fiscal meses depois.
Participação de conselheiro afastado e desdobramentos
Os documentos indicam que Haroldo Dantas, ainda assim, participou da reunião que aprovou as contas, mesmo após decisão administrativa de afastamento cautelar. O conselheiro também admitiu atuar como advogado do presidente Osmar Stábile em algumas causas, o que foi considerado na análise sobre a permanência dele no órgão.
Apesar da apresentação de dúvidas sobre a validade do afastamento, o MP concluiu que a participação ocorreu em ambiente de divergência interna, o que frustrou a caracterização de conduta criminosa.
Irregularidade administrativa permanece sob análise
Mesmo com o arquivamento criminal, o Ministério Público aponta a possibilidade de irregularidade administrativa. A participação de um membro afastado pode comprometer a regularidade do órgão colegiado e influenciar o ambiente deliberativo.
O caso foi encaminhado à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, para apurar eventuais implicações cíveis e administrativas relacionadas à aprovação das contas. A esfera administrativa deve avaliar impactos sobre a legitimidade das decisões.
Situação atual e próximos passos
O UOL apurou que o tema segue em discussão fora da esfera penal, com possíveis desdobramentos institucionais dentro do Corinthians. O Ministério Público permanece atento a eventuais inconsistências administrativas que possam exigir atuação futura.
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