Mikel Arteta precisou de quase sete anos para entregar à torcida do Arsenal aquilo que ela esperava havia muito tempo. E a história levanta uma pergunta inevitável: qual treinador no futebol brasileiro sobreviveria tanto tempo sem conquistar títulos de grande peso? É claro que a comparação tem limites. O nível de organização, a estabilidade financeira […]
Mikel Arteta precisou de quase sete anos para entregar à torcida do Arsenal aquilo que ela esperava havia muito tempo.
E a história levanta uma pergunta inevitável: qual treinador no futebol brasileiro sobreviveria tanto tempo sem conquistar títulos de grande peso?
É claro que a comparação tem limites. O nível de organização, a estabilidade financeira e a estrutura dos clubes ingleses estão muito distantes da realidade brasileira.
Ainda assim, o caso do Arsenal mostra que um trabalho bem conduzido, com convicção e paciência, pode gerar resultado mesmo quando ele não aparece de imediato.
Arteta foi anunciado pelo Arsenal em 20 de dezembro de 2019, com contrato de três anos e meio, para substituir Unai Emery.
Desde então, a reconstrução do clube passou por diferentes fases até chegar ao ponto atual, com um time novamente competitivo na Inglaterra e na Europa.
A limpeza no vestiário
Quando chegou, Arteta encontrou um Arsenal em crise, distante da briga por títulos e desconectado da própria torcida. O elenco era caro, envelhecido e sem uma identidade clara. A primeira missão do treinador foi reorganizar o ambiente interno.
Arteta estabeleceu princípios rígidos de comportamento, respeito e comprometimento. Quem não se encaixou na nova mentalidade perdeu espaço. O clube abriu mão de medalhões com salários altos e encerrou ciclos de jogadores como Aubameyang, Özil, David Luiz e Nicolas Pépé.
Mesmo em meio ao início turbulento, o Arsenal conquistou a Copa da Inglaterra na primeira temporada de Arteta. O título não escondia os problemas, mas deu ao treinador autoridade para seguir com a reformulação.
A aposta na juventude
Com o apoio de Edu Gaspar e da diretoria, o Arsenal mudou o perfil de contratações. O clube deixou de buscar apenas nomes prontos e passou a mirar jogadores jovens, com potencial de crescimento e fome para fazer parte de um projeto de longo prazo.
Foi nesse contexto que chegaram nomes como Ben White, Martin Odegaard e Gabriel Magalhães. Ao mesmo tempo, Arteta deu protagonismo a Bukayo Saka e Gabriel Martinelli, revelado pelo Ituano e transformado em peça importante no ataque.
O processo teve custos. O Arsenal terminou duas temporadas seguidas apenas na oitava colocação da Premier League e ainda perdeu a vaga na Champions League na reta final da temporada 2021/22. Mesmo assim, a diretoria bancou o treinador.
O retorno à elite
Com a base jovem mais madura, o Arsenal subiu o nível de investimento. Gabriel Jesus chegou depois de um ciclo vitorioso no Manchester City, mas sem o protagonismo que buscava por lá. Depois, Declan Rice virou contratação recorde e mudou o patamar do meio-campo.
Arteta transformou o Arsenal em um time intenso, agressivo na pressão e muito sólido defensivamente. Além disso, as bolas paradas, trabalhadas por Nicolas Jover, viraram uma arma letal e também motivo de debate entre rivais.
O resultado apareceu na tabela. O Arsenal voltou a brigar pela Premier League, bateu na trave contra o Manchester City e retornou à Champions League depois de seis anos de ausência. A taça ainda não tinha vindo, mas o clube já era outro.
A última lição antes da consagração
Na temporada 2024/25, o projeto foi testado no limite. O Arsenal disputou o topo da Inglaterra contra o Liverpool de Arne Slot, ficou novamente com o vice-campeonato nacional e também fez uma campanha forte na Champions League.
A equipe chegou às semifinais, mas caiu diante do Paris Saint-Germain. A eliminação doeu, mas também serviu como mais uma etapa de amadurecimento para um elenco que ainda buscava transformar bom futebol em conquista histórica.
O momento de colher os frutos
A atual temporada marcou a consagração de um plano de longo prazo. Depois de anos de reconstrução, críticas e cobranças, o Arsenal voltou a conquistar a Premier League após 22 anos de fila.
Agora, Arteta tem a chance de dar mais um passo na história do clube. O Arsenal enfrenta o Paris Saint-Germain na Puskás Arena, em Budapeste, em busca do título inédito da Champions League.
A pergunta que fica é simples: esse elenco pode ser lembrado como o maior da história do Arsenal? Ou ainda precisa levantar a taça europeia para ocupar esse lugar?
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