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Copa do Mundo é para eles, não para nós: fãs protestam contra proibições de viagem dos EUA

Bans de viagem e restrições de visto dificultam fãs de várias nações a acompanhar a Copa; Iraque, Senegal e Côte d'Ivoire entre os mais impactados

Abdulla Adnan
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  • Fãs de vários países classificados para a Copa do Mundo enfrentam restrições de visto ou altas taxas de rejeição para viajar aos EUA.
  • No caso do Iraque, a dificuldade vem de serviços consulares suspensos no país, obrigando fãs a buscar visto no exterior e, muitas vezes, sem sucesso.
  • Países como Haiti, Irã, Senegal, Ivory Coast e outros têm taxas de rejeição elevadas (acima de quarenta por cento) para vistos de turista, dificultando a ida aos EUA para assistir aos jogos.
  • Existem quarenta e dois países com isenção de visto (via sistema Eletrônico de Autorização de Viagem), mas nenhum país africano integra a lista; ainda assim, a decisão final depende das autoridades dos EUA.
  • Em maio de 2025, o governo anunciou a eliminação do depósito de até quarenta e cinco mil dólares para alguns países com bilhetes válidos da Copa, mas a aprovação de visto continua sendo tarefa das autoridades.

A boa parte dos fãs que vão acompanhar a Copa do Mundo em solo norte-americano enfrenta dificuldades para obter visto. No caso do Iraque, a equipe se classificou no fim de março, e o torcedor Abdulla Adnan já comprou ingressos para jogos contra Noruega e França, nos EUA, mas esbarra na burocracia.

O obstáculo, porém, não é apenas a distância. Após o início da guerra entre EUA e Israel com o Irã, serviços consulares no Iraque foram suspensos por questões de segurança. Não há, no país, entrevista presencial para visto, o que impede Adnan de regularizar a documentação.

Adnan recorreu à Jordânia para tentar a emissão do visto no consulado americano local, mas o consulado não pode emitir vistos a não jordanianos. O custo da viagem e das entradas ficou em torno de 1,8 mil dólares, somando passagens, hotel e ingressos.

A frustração de torcedores de várias nações conecta-se a dados do BBC World Service, que apontam que fãs de mais de um quarto das seleções vivem com restrições de viagem, vistos mais difíceis ou altas taxas de rejeição. Iraque não está na lista de proibição de viagens de Donald Trump, mas o cenário é semelhante para muitos.

Entre os entraves, está a lista de proibições de vistos de alguns países, incluindo Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim. A exigência de visto de visitante dificulta a ida de fãs a jogos, mesmo com ingressos já comprados.

Futuros impactos são discutidos por especialistas. Em termos de custo, existem opções como o FIFA Pass, que facilita a prioridade em entrevistas de visto para quem adquiriu ingressos oficiais, mas isso não garante aprovação.

Dados do governo americano indicam que, entre 11 dos 48 países que se classificaram para a Copa, a taxa de rejeição de vistos ultrapassa 40%. Em média, a taxa global para vistos B1/B2 é de cerca de 34%.

A ausência de vistos também afeta organizações de torcedores. Em países com altas recusas, muitos torcedores desistem de viajar, mesmo diante de ingressos pagos. A complexidade do processo compõe o quadro geral.

Além das restrições, há medidas que mudaram em maio, com a retirada de depósitos de até 15 mil dólares para alguns países que se classificaram, desde que haja ingressos válidos da Copa. Ainda assim, a decisão não altera o direito de entrada.

O governo americano sustenta que as decisões são tomadas caso a caso, após avaliação rigorosa, para evitar riscos à segurança. E, mesmo com visto autorizado, a entrada no país depende de fiscalização na fronteira.

A Copa no Canadá e no México segue, com a maior parte dos jogos no território dos EUA. A variedade de políticas de vistos entre os países anfitriões continua sendo tema relevante para fãs que dependem de visto para acompanhar os jogos ao vivo.

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