- A Copa do Mundo de 2026 ocorre entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, e restrições de visto afetam participantes antes dos jogos.
- No caso do Irã, os atletas têm visto, mas com condições restritivas: entrada apenas no dia das partidas e saída imediata após o apito; a federação relocate o treino para Tijuana, e 15 funcionários ainda aguardam vistos.
- O Iraque teve episódios de complicação, com o atacante Aymen Hussein detido por cerca de sete horas em O’Hare e, depois, autorização para entrar; o fotógrafo Talal Salah foi negado após 10 horas de deslocamentos.
- O árbitro somali Omar Artan, mesmo com passaporte diplomático e visto emitido, teve a entrada negada em Miami por questões de verificação.
- Uzbequistão e Senegal enfrentaram inspeções detalhadas ao chegar; organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, alertam para riscos e pressão por garantias de direitos fundamentais durante o evento.
A Copa do Mundo de 2026, que ocorre entre 11 de junho e 19 de julho nos EUA, Canadá e México, já enfrenta entraves na fronteira. Restrições de visto, checagens largas e entradas contestadas afetam jogadores, técnicos e árbitros antes mesmo das partidas começarem.
Na prática, 39 países enfrentam restrições totais ou parciais de viagem para os EUA. Quatro deles — Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim — participam da competição, o que alimenta controvérsia sobre a garantia de acesso igualitário para todos os participantes.
Casos emblemáticos envolvendo o Irã surgem como exemplo mais conhecido. O elenco iraniano teve vistos obtidos, mas com condições restritivas: entrada apenas no dia dos jogos e saída imediata após o apito final. A delegação precisou deslocar o campo de treinamento para Tijuana, no México, em vez de Tucson, nos EUA, para os amistosos pré-Copa.
Alguns membros da delegação iraniana ainda aguardam liberação de visto, enquanto outros teriam sido negados. A situação gera dúvidas sobre a implementação de políticas de imigração e sua repercussão no torneio.
Gestão de entradas e incidentes adicionais
Entre os casos de outras nações, o Iraque viu um atacante famoso ter sido detido e interrogado no aeroporto de Chicago O’Hare por cerca de sete horas, recebendo liberação apenas depois de procedimento de checagem. O episódio provocou críticas à condução das checagens de imigração.
O fotógrafo oficial da seleção iraquiana, Talal Salah, teve entrada negada após longas horas de triagem. A vice-presidência de fronteiras confirmou a negativa, citando checagens adicionais, e a Reuters destacou a possibilidade de apontar um viés em relação a delegações de países árabes ou muçulmanos.
Outro caso relevante envolveu o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, escolhido como melhor árbitro africano de 2025. Mesmo portando passaporte diplomático e visto emitido, ele teve entrada negada em Miami após desembarque procedente de Istambul, sob alegação de “vetting” excessivo.
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) reconheceu a decisão das autoridades de imigração, destacando que os procedimentos cabem aos países anfitriões. Em paralelo, a delegação do Uzbequistão, prestes a disputar a primeira Copa sob o comando de Fabio Cannavaro, passou por uma checagem de segurança extensa antes de uma partida amistosa contra a Holanda, em Nova York.
A seleção sénegalesa também relatou verificações detalhadas na chegada. Em alguns casos, atletas tiveram de remover itens de vestuário para inspeções adicionais, antes de receberem autorização de entrada. Imagens dessas checagens circularam nas redes sociais.
Repercussões e preocupações de direitos humanos
Organizações de direitos humanos, como a Amnistia Internacional, lamentam que políticas de imigração possam colocar em risco a proteção de liberdades fundamentais durante o evento. A entidade aponta necessidade de garantias vinculantes por parte dos anfitriões para evitar discriminação e riscos de vigilância excessiva.
Segundo a Amnistia, além dos atletas, milhões de torcedores também podem ficar expostos a restrições de entrada, fiscalização e policiamento. A entidade solicita medidas claras para assegurar direitos básicos durante o torneio.
A organização ressalta ainda que a FIFA tem responsabilidade de cobrar compromissos formais dos países anfitriões para a proteção dos direitos humanos no contexto da competição. O episódio evidencia como questões imigratórias podem se tornar tema central no torneio realizado em três nações.
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