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Por que o plano da China de virar potência no futebol fracassou

Planos de Xi para levar a China à Copa, sediar o torneio e vencer mundial fracassam diante de dívidas, bolha imobiliária e corrupção no futebol

O ditador chinês, Xi Jinping, recebe camisa da seleção da Itália com seu nome durante evento em Xangai, em 2019 (Foto: ALESSANDRO DI MEO/EFE/EPA)
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  • Em 2011, Xi Jinping anunciou desejos para o futebol chinês: classificar-se para a Copa, sediar torneios e ser campeão mundial, com uma estratégia de 2016 que previa setenta mil campos e trinta milhões de crianças praticando até 2020.
  • A era de gastos bilionários começou em 2015, com estrelas estrangeiras como Oscar, Hulk e Tévez, além de técnicos campeões mundiais; o objetivo era agradar o governo para facilitar empréstimos e compra de terrenos, criando crescimento financeiro artificial.
  • A crise imobiliária derrubou o financiamento dos clubes, que eram apoiados por grandes incorporadoras; o Guangzhou Evergrande foi extinto no início de 2025 e mais de quarenta clubes fecharam as portas por dívidas e falta de sustentabilidade.
  • A corrupção no futebol chinês ganhou destaque com manipulação de resultados e punições a clubes; nove equipes perderam pontos e mais de setenta pessoas foram banidas, incluindo o ex-técnico Li Tie, condenado a vinte anos.
  • A política de Covid-19 Zero, entre 2020 e 2022, ajudou a interromper ligas e manter estádios vazios, dificultando a contratação e permanência de jogadores e técnicos estrangeiros, agravando a crise do esporte.

O plano de Xi Jinping para transformar o futebol chinês não atingiu as metas esperadas. Em 2011, o líder anunciou sonhos: classificar a equipe masculina para a Copa, sediar um Mundial e, por fim, ser campeão. Em 2016, o governo lançou uma estratégia com metas ambiciosas, como 70 mil campos e 30 milhões de crianças praticando o esporte até 2020.

A era de gastos bilionários começou em 2015, quando equipes da Superliga contrataram estrelas globais, como Oscar, Hulk e Tévez, além de técnicos campeões mundiais. O objetivo principal, porém, era agradar o governo para facilitar empréstimos e acesso a terras, gerando um crescimento financeiro artificial.

Reconhecimento de problemas financeiros

A indústria footballística chinesa era sustentada por grandes incorporadoras imobiliárias. Com a crise do setor, o financiamento secou. O Guangzhou Evergrande, octacampeão, acabou extinto no início de 2025 após a falência da Evergrande. Ao todo, mais de 40 clubes fecharam as portas nos últimos anos.

Os casos de corrupção se tornaram centrais no esporte. Houve manipulação de resultados e subornos, com punições a nove equipes e mais de 70 pessoas banidas. Li Tie, ex-técnico da seleção, recebeu condenação de 20 anos de prisão. Especialistas apontam interferência política excessiva como parte do problema.

Impactos da pandemia e desdobramentos

Entre 2020 e 2022, a China manteve a política de Covid Zero, com bloqueios rigorosos e jogos em bolhas sem público. Estádios vazios dificultaram contratos com jogadores e técnicos estrangeiros. A pandemia ampliou a crise já existente, mas não foi a única causa do insucesso do projeto nacional.

A China enfrentou um conjunto de fatores: finanças instáveis, gestão com foco em resultados a curto prazo e problemas de governança. As autoridades estudam estratégias para reerguer o futebol doméstico, com mudanças estruturais ainda em debate. Fonte: apuração da Gazeta do Povo.

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