- O governo dos Estados Unidos destinou mais de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) para a segurança da Copa do Mundo de 2026, envolvendo 11 cidades-sede.
- O dinheiro vem de dois programas federais: US$ 625 milhões pela FEMA para segurança geral e US$ 500 milhões para drones, com US$ 250 milhões já repassados aos estados.
- Para coordenar as ações, o Departamento de Segurança Interna criou um escritório dedicado a aeronaves não tripuladas, e a Casa Branca formou uma força-tarefa presidida pelo presidente.
- A maior parte do investimento em drones se justifica por invasões contra jogos da NFL, que, segundo a gente responsável, passaram de 67 em 2018 para 2.845 em 2023.
- A discussão sobre o que acontecerá com a estrutura após o torneio envolve dúvidas sobre permanência de sistemas de vigilância, com casos como Boston e Paris usados como referência de possíveis usos continuados.
O governo dos Estados Unidos destinou mais de US$ 1 bilhão (aprox. R$ 5 bilhões) à segurança da Copa do Mundo de 2026. O montante é dividido entre dois programas federais que atuam em áreas distintas: preparação geral e combate a drones. A competição ocorrerá em 11 cidades americanas, com 48 seleções e mais de 5 milhões de ingressos vendidos.
A FEMA responde pela maior parcela, US$ 625 milhões, para a estrutura de proteção global durante o torneio. Outro programa, de US$ 500 milhões, foca especificamente em aeronaves não tripuladas. Desse total, US$ 250 milhões já foi repassado aos estados-sede para ações locais.
Para coordenar a resposta, o Departamento de Segurança Interna criou, em janeiro, um escritório dedicado a drones. A Câmara dos EUA, por meio de decreto, estabeleceu uma força-tarefa liderada pelo presidente, com o objetivo de alinhar ações entre agências e governos locais.
Por que metade do orçamento mira o céu
Dados da NFL mostram que invasões de drones sobre estádios cresceram de 67 em 2018 para 2.845 em 2023, um aumento de 42 vezes. Em playoffs recentes, partidas foram interrompidas quando drones adentraram áreas restritas.
Bloquear sinais de drone envolve riscos: pode atrapalhar a comunicação do estádio ou gerar destroços. Alternativas de software estão sendo consideradas para identificar aeronaves e conduzi-las a pousos seguros sem prejudicar o entorno.
Em 18 de dezembro de 2025, Trump sancionou a Safer Skies Act, que autorizou estados e locais a detectar e neutralizar drones considerados ameaças. O prazo de implementação venceu no mês de abertura do torneio, deixando a lei funcional em teoria.
Dentro dos estádios, o principal desafio é monitorar multidões e centenas de câmeras simultaneamente. Parte da solução envolve transformar imagens em dados com inteligência artificial, reduzindo alertas falsos.
A vigilância que não recua
Resta a dúvida sobre o destino dessa infraestrutura após julho. Pesquisadores apontam que equipamentos de vigilância costumam permanecer, com contratos estendidos, mesmo após eventos pontuais. A evolução jurídica acompanha esse ritmo, com poucas barreiras para ampliar usos.
Especialistas citam casos como Boston, onde câmeras temporárias migraram para redes permanentes, e Paris, onde tecnologias da Olimpíada de 2024 ampliaram seus usos. Em Los Angeles, o estádio SoFi já trouxe discussões sobre privacidade em operações de alimentação, com acordo que restringe uso de dados de credenciamento.
A Copa de 2026 também funciona como teste para a legislação de privacidade na Califórnia, com foco em transparência, fiscalização e prazo de desativação. Autoridades estaduais e representantes eleitos deverão explicar objetivos, duração e retirada de estruturas implantadas durante o torneio.
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