- A Copa do Mundo de 2026 terá 48 seleções, 104 partidas, 16 sedes e três países anfitriões: Estados Unidos, México e Canadá.
- O torneio é apresentado como uma “escola de emoções” que revela como a masculinidade se expressa na identificação nacional, na rivalidade e na mobilização midiática.
- Distúrbios após o título do Paris Saint-Germain na Champions League e pesquisas sobre violência no futebol mostram que o futebol alimenta códigos de pertencimento, reputação e masculinidade agressiva.
- Estudos em Espanha, Chipre e Polônia indicam que o futebol reforça estereótipos de gênero, modelos tradicionais de masculinidade e atitudes problemáticas sobre violência de gênero.
- A Copa amplia a emoção coletiva e ajuda a entender como o futebol ensina, em grande escala, a vivência da emoção como rivalidade entre países.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história, com 48 seleções, 104 partidas e 16 sedes distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. Além de jogos, o torneio funciona como um espaço de identidade nacional e de exposição midiática.
Em meio à empolgação, surgem discussões sobre como o futebol molda emoções e masculinidades. Pesquisas associam a experiência de torcer a códigos de pertencimento, rivalidade e resistência, elementos que podem levar a comportamentos agressivos.
O evento é visto como laboratório social: não se trata apenas de clube versus torcida, mas de seleções que elevam a emoção pública. A pergunta central é quais formas de masculinidade encontraram no futebol espaço de expressão.
Essa construção começa cedo. Estudos recentes indicam que o futebol participa da formação de identidades masculinas e de dinâmicas de exclusão de gênero em ambientes escolares, influenciando hierarquias e prestígios.
Pesquisas em jovens jogadores revelam persistência de estereótipos de gênero, modelos tradicionais de masculinidade e atitudes preocupantes sobre violência de gênero, em países como Chipre e Polônia, respectivamente.
Para muitos, o futebol permanece um dos poucos espaços onde a expressão de emoções masculinas é aceitável, sem colocar em risco a percepção de virilidade, desde que seja dentro de certas regras de comportamento e confronto.
Muitos relatos apontam que a expressão emocional é organizada por adesão ao grupo, oposição ao rival, afirmação territorial e resistência, dentro de uma estrutura que ainda valoriza controle, dureza e superioridade.
A variedade de masculinidades existe no futebol: há posições progressistas e outras misoginas, além de práticas que parecem igualitárias, mas reproduzem traços hegemônicos. Esse espectro escapa do rótulo único.
Ainda assim, estudos de 2024 e 2025 mostram que o espaço futebolístico continua hostil a muitas torcedoras, com experiências de estereótipos, abuso e discriminação nas redes sociais, sinalizando persistência de misoginia no ambiente.
A Copa de 2026 leva a questão além da emoção: o torneio amplia identidades nacionais e a coesão de grupos, ao mesmo tempo em que divulga uma forma de aprendizado emocional em grande escala, com potencial de normalizar a rivalidade diante dos outros.
Acompanhar as mudanças
A relação entre o futebol, emoção e masculinidade não é monolítica. O torneio coloca em evidência como sentimentos públicos são moldados por códigos culturais, normas de gênero e estruturas de poder.
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