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Iraquiano que fugiu da guerra encontra recomeço no futebol em São Paulo

Imigrante iraquiano naturalizado brasileiro reconstrói a vida em São Paulo, do deslocamento da guerra ao sucesso do restaurante, movido pela paixão pelo futebol

Haik Khachadorian fugiu do Iraque nos anos 90 ilegalmente, chegou ao Brasil com 100 dólares no bolso e foi desde vendedor na 25 de Março e motorista até ser dono de restaurante no centro atualmente
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  • Haik Khachadorian, iraquiano de nascimento e descendente armênio, imigrou para o Brasil em 1992 aos 20 anos, chegando a São Paulo com 100 dólares no bolso.
  • No Brasil, passou por várias atividades: vendedor de carros importados, comerciante na região da 25 de março, motorista particular, professor de inglês e, em 2022, tornou-se proprietário do restaurante Haleku, no centro.
  • A paixão pelo futebol começou na juventude, quando se inspirou em jogadores da seleção brasileira na televisão; ele adotou o São Paulo como time do coração por conta de ídolos que atuavam no clube.
  • Acolorida ligação com o futebol envolve a primeira classificação do Iraque para a Copa do Mundo (1986) e a comemoração em São Paulo após a vitória sobre a Bolívia, além de apoiar a seleção iraquiana nos torneios atuais.
  • A embaixada do Iraque no Brasil não informou o número oficial de iraquianos no país; estimativas não oficiais apontam cerca de cem famílias em São Paulo e região.

Haik Khachadorian, iraquiano de coração brasileiro, teve a vida marcada pela guerra e pela busca por oportunidades. Chegou ao Brasil no início dos anos 1990, com apenas 100 dólares na bagagem, perseguindo uma vida estável em meio a crises no Iraque. Hoje é naturalizado e administra um restaurante no centro de São Paulo.

Ao chegar, Haik percorreu caminhos variados: vendedor de carros importados, comerciante na região da 25 de Março, motorista particular e, mais recentemente, empresário de alimentação. Em 2022, ele realizou o sonho ao abrir o Haleku, integrando cozinhas iraquiana e armênia com a própria família.

Natural de Bagdá, em 1972, Haik é descendente de armênios. Ele se interessou por esportes ainda na adolescência e guarda lembranças da Copa do Mundo de 1986, quando o Iraque se classificou pela primeira vez. A paixão pelo futebol o aproximou de brasileiros e reforçou o vínculo com o país que o acolheu.

Trajetória no Brasil e vínculos com o futebol

Aos 20 anos, Haik decidiu emigrar para melhorar a vida em cenário de guerras no Iraque. Cruzou a Jordânia, seguiu para a Turquia e chegou a São Paulo. Aqui, consolidou sua vida ao lado da família, casando com Lusine e tendo um filho, hoje adolescente.

A narrativa familiar envolve também a memória da seleção iraquiana, que já retornou a Copas do Mundo e Olimpíadas. Haik recorda as celebrações na comunidade iraquiana em São Paulo após vitórias, destacando a importância do esporte para comunidades imigrantes.

Mesmo com fuso horário diferente, Haik acompanha a liga e as notícias da seleção iraquiana, reconhecendo as dificuldades do Iraque em competições recentes. Ele reforça que vai torcer pelo Brasil durante a Copa, mantendo orgulho por suas raízes.

Comunidade iraquiana em São Paulo e números oficiais

A Embaixada do Iraque no Brasil não respondeu à reportagem sobre o total de iraquianos no país. Estimativas não oficiais indicam cerca de 100 famílias concentradas na região de São Paulo. Uma dessas histórias é a de Bjad Adnan, naturalizado brasileiro, que administra uma loja de eletrônicos no centro.

Adnan reforça a ideia de pertencimento: divide a torcida entre a terra natal e o Brasil, expressando satisfação por se sentir em casa na cidade que o acolheu.

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