O presidente da CBF, Samir Xaud, se afastou da delegação da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim. Segundo a publicação, a decisão tem como objetivo evitar que as denúncias envolvendo o dirigente provoquem qualquer tipo de desgaste ou interferência no ambiente da equipe durante a competição. […]
O presidente da CBF, Samir Xaud, se afastou da delegação da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim. Segundo a publicação, a decisão tem como objetivo evitar que as denúncias envolvendo o dirigente provoquem qualquer tipo de desgaste ou interferência no ambiente da equipe durante a competição.
Desde o último dia 15, acusações relacionadas a Xaud vêm ocupando espaço nos principais veículos de imprensa do país.
A controvérsia teve início após reportagem publicada pelo jornalista Leo Dias apontar que o presidente da CBF teria utilizado recursos da entidade para custear despesas de hospedagem de uma empresária de Roraima nos Estados Unidos durante o período da Copa do Mundo. A publicação também divulgou imagens do dirigente ao lado da mulher em Nova York e sugeriu que os dois manteriam um relacionamento. A reportagem destaca ainda que Xaud é casado há 20 anos com Natália Xaud e que, posteriormente, seguiu para compromissos oficiais na Cidade do México acompanhado da esposa.
A CBF nega qualquer irregularidade. Em nota, a entidade afirmou que todas as despesas custeadas pela confederação estão vinculadas a atividades institucionais e que gastos particulares dos dirigentes são pagos com recursos próprios.
Embora as acusações ainda não tenham gerado consequências diretas, o episódio gerou repercussão imediata entre dirigentes que acompanham a seleção brasileira na Copa e passou a ser interpretado como mais um elemento de instabilidade em um momento sensível para a entidade.
Entenda as denúncias
A reportagem publicada em 15 de junho cita de modo específico duas viagens envolvendo Samir Xaud. A principal delas envolve a empresária do setor fitness Camila Cristina Andrade, de Roraima. Segundo o Portal LeoDias, ela ficou hospedada entre os dias 2 e 10 de junho no hotel Hyatt Regency Grand Central, em Nova York, em uma reserva vinculada ao presidente da CBF.
A hospedagem teria custado R$ 59,4 mil, bancados pela instituição. A publicação também afirma que Camila foi vista ao lado de Xaud durante um jantar no restaurante Harry Cipriani, em Manhattan, e utilizou o mesmo veículo alugado para atender ao dirigente durante sua permanência na cidade. A reportagem relata ainda que Xaud retornou ao Brasil para acompanhar a partida da seleção feminina contra os Estados Unidos, realizada no Castelão, em Fortaleza, no dia 8 de junho.
Logo depois, seguiu para a Cidade do México, onde acompanhou a abertura da Copa do Mundo ao lado da esposa, Natália, em 11 de junho, um dia depois de Camila ter deixado Nova York.

Reportagem cita outro episódio semelhante
A reportagem menciona ainda uma viagem realizada em dezembro de 2025, quando a influenciadora digital e farmacêutica Tamires Fernandes Barcellos, conhecida como Tata Barcellos, esteve em Doha, no Catar, para acompanhar a final do Mundial de Clubes. Ela teria tido acesso à área Vip da CBF, incluindo jogadores e familiares.
Segundo o portal, a viagem incluiu passagem aérea em classe executiva e hospedagem no hotel Ritz-Carlton Doha, cuja reserva teria sido cobrada da CBF. Após ser procurado pela reportagem, Xaud teria efetuado o pagamento da hospedagem em Nova York, segundo comprovantes enviados ao portal por pessoas próximas ao dirigente.
A CBF nega qualquer uso indevido de recursos da entidade e afirma que despesas particulares de seus dirigentes são custeadas com recursos próprios.
Por que as denúncias ganharam dimensão política
O principal motivo é que elas atingem diretamente a autoridade do presidente da CBF em meio a um período de intensa movimentação nos bastidores do futebol brasileiro.
Samir Xaud assumiu o comando da entidade com apoio expressivo das federações estaduais e ainda busca consolidar sua liderança dentro da confederação. Ao mesmo tempo, diferentes grupos de influência disputam espaço na estrutura de poder da CBF, especialmente em áreas estratégicas ligadas à gestão, à política esportiva e ao relacionamento institucional.
Nesse contexto, qualquer desgaste envolvendo a presidência acaba sendo acompanhado com atenção por dirigentes, aliados e possíveis sucessores.
Nos bastidores, há quem avalie que a exposição pública das acusações enfraquece a posição política de Xaud. Outros argumentam que o episódio tende a produzir apenas desgaste momentâneo caso não surjam evidências que sustentem as suspeitas.
Preocupação com reflexos na seleção
A maior preocupação da cúpula da instutuição, porém, é evitar que a crise produza reflexos sobre a seleção brasileira durante a Copa do Mundo. Por isso, no último dia 15 de junho, Xaud teria sumido de Nova Jersey e ido para Orlando, longe da selação brasileira.
Integrantes da entidade temem que o foco excessivo nos bastidores desvie a atenção do desempenho esportivo em um momento em que a equipe ainda busca afirmação no torneio após o empate na estreia contra o Marrocos.
Por isso, a estratégia adotada tem sido responder às acusações por meio de nota oficial e evitar ampliar o debate publicamente. A avaliação interna é que a repercussão do caso dependerá, principalmente, do surgimento de novos elementos que confirmem ou contradigam as denúncias.
Por enquanto, o episódio se soma a uma longa tradição de disputas políticas que historicamente acompanham a administração da CBF, uma instituição em que resultados dentro de campo e equilíbrio de forças nos bastidores costumam caminhar lado a lado.
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