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Como o futebol sul-africano foi sufocado e salvo durante o apartheid

Do instrumento de exclusão à vitória unificadora: o futebol sul-africano foi isolado pelo apartheid e ressurgiu multirracial sob Mandela

Neil Tovey, da África do Sul, capitão da seleção campeã da Copa Africana de Nações de 1996, comemora com o troféu após recebê-lo do presidente Nelson Mandela - (Gallo Images/Getty Images)
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  • Durante o apartheid, o futebol sul-africano foi fragmentado por etnia, com federações distintas e a Football Association of South Africa (Fasa) reconhecida pelo governo como representante dos brancos.
  • Em 1957, na primeira Copa das Nações Africanas, a África do Sul propôs enviar seleção apenas brancos ou apenas negros; a recusa levou à desclassificação e expulsão da Confederação Africana de Futebol (CAF).
  • A FIFA demorou a agir: suspensão inicial em 1961, revogada em 1963, e reinstalada em 1964, com expulsão definitiva em 1976 após o levante de Soweto.
  • O isolamento esportivo foi profundo: sem eliminatórias, amistosos oficiais ou clubes estrangeiros, o que ampliou o boicote ao regime.
  • Com o fim do apartheid, ligas se unificaram em 1991 na South African Football Association (Safa), a África do Sul foi reintegrada à FIFA em 1992 e, em 1996, venceu a Copa das Nações Africanas em casa.

Durante o regime do apartheid na África do Sul, o futebol refletiu a segregação racial vigente. A organização do esporte foi fragmentada e dominada pela minoria branca, com regras que proibiam atletas de etnias diferentes de atuarem juntos ou frequentarem as mesmas arquibancadas.

A estrutura oficial era composta por federações separadas para brancos, pretos, indianos e mestiços. A Federação Sul-Africana de Futebol reconhecida pela FIFA era a de brancos, mantendo o controle político e esportivo sobre as competições.

Em 1957, durante a primeira Copa das Nações Africanas, a África do Sul tentou enviar uma equipe apenas com brancos ou apenas com negros. A proposta foi rejeitada por nações africanas, que repudiavam o racismo institucional, resultando na desclassificação sul-africana.

A FIFA foi lenta para agir. A primeira suspensão veio em 1961, permaneceu apenas parcialmente, e em 1963 a gestão de Sir Stanley Rous abriu espaço para justificar a segregação como costume local, mantendo a posição sul-africana por mais tempo. Em 1964, a punição foi reinstituída.

O embargo esportivo ganhou força após o levante de Soweto em 1976. Com a eleição de João Havelange para a presidência da FIFA, a Federação Sul-Africana de Futebol foi formalmente expulsa da organização, por 78 votos contra 9, aprofundando o isolamento internacional.

Entre os anos 1980 e início dos 1990, a África do Sul ficou sem eliminaratórias, sem amistosos oficiais e sem clubes estrangeiros, agravando o atrito entre o governo e as massas oprimidas. O regime buscava manter o controle, enquanto o esporte entrava em crise de legitimidade.

Na década de 1990, o processo de redemocratização avançou. Em 1991, ligas separadas foram unificadas na South African Football Association (Safa), organização multirracial. Em 1992, a África do Sul foi reintegrada à FIFA, abrindo caminho para a participação internacional.

O renascimento esportivo ganhou impulso em 1996, quando a seleção, agora chamada Bafana Bafana, conquistou a Copa Africana de Nações em casa. A conquista ocorreu diante de Nelson Mandela, sinalizando a superação do apartheid no futebol e a integração de atletas de diferentes origens.

O triunfo de 1996 consolidou a imagem de um futebol inclusivo. O seu título simbolizou a transição para uma era em que o esporte passou a representar todos os sul-africanos, dentro de uma nação que buscava reconstrução social.

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