- A seleção do Irã disputa a Copa do Mundo com base restrita aos Estados Unidos, hospedando-se em Tijuana, com guarda da Guarda Nacional e visitas proibidas; o trajeto até o campo de treino ocorre em ônibus escoltados.
- O governo dos Estados Unidos não autorizou a base da delegação no território americano; doze integrantes, entre eles o presidente da federação, não receberam visto e devem sair logo após as partidas.
- O capitão Mehdi Taremi criticou a Fifa e a logística, dizendo que o time não recebe suporte e que a preparação fica comprometida; ele foi detido no aeroporto de Los Angeles ao deixar os EUA.
- Fora dos EUA, em Tijuana a delegação recebeu apoio de moradores; a cidade e o clube local cederam instalações de treino e criaram uma atmosfera de acolhimento para a equipe.
- Caso Irã e Estados Unidos terminem em segundo lugar nos grupos e avancem, há a possibilidade de duelo nas oitavas em Dallas, um encontro com forte significado político e esportivo.
Barrada nos EUA, seleção iraniana disputa a Copa marcada por restrições. Frente a restrições, a equipe treina em Tijuana, no México, sob vigilância constante. Soldados da Guarda Nacional mexicana observam o hotel 24h, com acesso restrito a hóspedes.
Os iranianos teriam de adaptar-se a uma base no México, já que o governo dos EUA negou a base em território americano. Hotéis e instalações em Tucson foram recusados, e os jogadores só entram nos EUA na véspera dos jogos, devendo sair logo após o apito final.
Doze membros da delegação, entre eles o presidente da federação, não receberam visto. O técnico Amir Ghalenoei declarou que o time é o mais perseguido da Copa após o empate com a Nova Zelândia.
Realidade no México
Em Tijuana, a delegação é recebida pela comunidade local, sem o mesmo nível de pressão vivido nos EUA. Moradores acompanham diariamente os treinamentos e um outdoor do Club Tijuana celebra a presença da equipe.
Antes da estreia, o capitão Mehdi Taremi criticou a logística e disse que a Fifa não oferece suporte adequado. Ele afirmou que os atletas pediram ajuda ao presidente da entidade, Gianni Infantino, para tentar melhorar as condições.
O treinador também afirmou que as restrições norte-americanas prejudicam a recuperação física e a preparação da seleção. A ausência de apoio logístico é vista como fator que impacta o desempenho em campo.
Perspectiva e continuidade
Na fase de grupos, o Irã disputa as partidas nos EUA, mas mantém distanciamento político evidente. Em Los Angeles, a imprensa e torcedores divergem entre apoio ao time e críticas ao regime, com hinos e bandeiras amplamente discutidos fora de campo.
Ao mesmo tempo, o desempenho dentro de campo tem mostrado resiliência. O empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia elevou o espírito da equipe e gerou uma demonstração de união entre adeptos e opositores do regime, em momentos de tensão.
Caso haja avanços às oitavas de final, EUA e Irã poderiam se enfrentar em Dallas, trazendo um desfecho que une futebol e política de maneira inusitada. A possibilidade já desperta curiosidade sobre o peso simbólico desse confronto hipotético.
Publicado em VEJA, edição de 19 de junho de 2026, observando os desdobramentos da Copa do Mundo e as particularidades vividas pela delegação iraniana.
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