- Haiti se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez em 52 anos, com poucos jogos em casa devido ao controle de gangues sobre estádios e cidades.
- A equipe perdeu por 3 a 0 para o Brasil na partida disputada, restando ainda um jogo de fase de grupos contra o Marrocos.
- O país vive momentos de violência e deslocamentos, com 2.300 pessoas mortas neste ano e cerca de 1,5 milhão deslocadas; a ONU critica a indiferença internacional.
- A maioria dos jogadores atua no exterior; apenas 10 de 26 nasceram no Haiti e apenas um joga em um clube haitiano.
- Em 1974, o Haiti já havia disputado a Copa; hoje a seleção depende de talentos da diáspora e de condições de segurança para seguir competindo.
Haiti vive uma temporada de expectativas enquanto a seleção nacional disputa pela primeira vez uma Copa do Mundo em 52 anos. A equipe, formada por jovens de várias origens, enfrenta um contexto de violência de gangues que domina grande parte de Port-au-Prince e partes do interior. Mesmo assim, os Grenadiers seguem firmes rumo ao torneio internacional.
No Parque Sainte-Thérèse, em Pétionville, jovens treinam sob calor intenso. A maioria viaja longas distâncias para jogar em condições precárias, em meio a zonas de confronto. Um jogador de 15 anos, Safran Désir, descreve o treino como uma chance de sonhar com dias melhores para o país.
Na sexta-feira, milhares de haitianos acompanharam a partida contra o Brasil em telas públicas, bares simples e campamentos de deslocados. O público vibrou com o hino e com a empolgação do elenco, mesmo após o placar de 3 a 0. O jogo mostrou a resiliência do futebol como refúgio cultural.
A competição acontece em meio a um cenário político e social instável desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021. Ainda há incertezas sobre o status de proteção temporária para haitianos nos EUA, o que restringe o apoio público à equipe. Nos últimos meses, a violência deslocou cerca de 1,5 milhão de pessoas.
As partidas da seleção também contam com a participação de jogadores da diáspora. Apenas 10 dos 26 atletas nasceram no Haiti, e apenas um atua em clube haitiano. Essa composição mostra como o país depende de talentos formados fora do território para chegar à Copa, diante de estádios e estruturas locais instáveis.
História de gerações
A memória da fase de 1974, quando o Haiti abriu a Copa com o atacante Emmanuel Sanon, ainda pulsa entre ex-jogadores e familiares. O retrospecto e as lembranças fortalecem a autoestima nacional e aproximam as comunidades da ideia de que o futebol pode revelar possíveis dias melhores.
Para dirigentes e treinadores locais, a base técnica permanece mesmo com desafios logísticos. Um treinador da diáspora e ex-jogador afirma que o Haiti tem potencial técnico para competir com as grandes seleções, desde que haja condições seguras para treinamentos e jogos.
O apoio popular é explícito: fãs seguem as atividades da equipe, assistem às partidas e celebram a qualificação. Em Porto-Príncipe, a comemoração para a fase de grupos ganhou dimensões nacionais, refletindo a importância simbólica do Mundial para uma população marcada pela violência.
Desafios futuros
Especialistas ressaltam que a continuidade do sucesso depende de estabilidade. A força de base, formada por jovens em bairros de risco, depende de investimentos em infraestrutura, segurança e apoio institucional para o esporte. O próximo desafio é o jogo contra Marrocos, ainda no grupo, que poderá confirmar a trajetória da equipe.
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