A Copa do Mundo de Clubes pode ficar ainda maior a partir de 2029. A Fifa se aproxima de uma nova expansão do torneio, que passaria de 32 para 48 equipes, em um movimento que deve beneficiar principalmente os grandes clubes da Europa. A mudança ganhou força após a entidade fechar um acordo com a […]
A Copa do Mundo de Clubes pode ficar ainda maior a partir de 2029. A Fifa se aproxima de uma nova expansão do torneio, que passaria de 32 para 48 equipes, em um movimento que deve beneficiar principalmente os grandes clubes da Europa.
A mudança ganhou força após a entidade fechar um acordo com a European Football Clubs, grupo que representa centenas de clubes do continente e é presidido por Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain. A ideia é criar uma parceria para administrar comercialmente o Mundial de Clubes e aumentar o peso financeiro da competição.
Na prática, o novo desenho pode abrir caminho para mais times da Premier League no torneio. Clubes como Arsenal, Liverpool e Manchester City aparecem entre os principais interessados em uma regra mais flexível, especialmente se o limite de duas equipes por país for revisto.
Por que a Fifa quer ampliar o Mundial de Clubes
A primeira edição ampliada do Mundial de Clubes, disputada com 32 times, mostrou o potencial comercial do torneio. A competição movimentou uma premiação bilionária e colocou clubes de diferentes continentes em uma vitrine global.
Mas também expôs um problema para a Fifa: algumas das maiores marcas do futebol europeu ficaram fora. O modelo de classificação, combinado ao limite de clubes por país, impediu a presença de equipes de enorme apelo comercial.
Esse é o ponto central da discussão. Para transformar o Mundial em um produto ainda mais forte, a Fifa quer ter mais gigantes europeus no torneio. E, dentro desse cenário, a Premier League aparece como peça estratégica.
O que pode mudar no formato
O plano em discussão prevê uma Copa do Mundo de Clubes com 48 equipes já em 2029. Isso representaria uma expansão parecida com a que a Fifa fez na Copa do Mundo de seleções, que também passou a ter 48 participantes.
A principal mudança, porém, não seria apenas numérica. A ampliação pode vir acompanhada de uma revisão no limite de clubes por país. Na edição com 32 times, esse teto ajudou a impedir a entrada de equipes importantes, mesmo quando elas tinham força esportiva e comercial para disputar o torneio.
Se a regra cair ou for flexibilizada, mais clubes ingleses poderão entrar. Isso aumentaria a presença da Premier League e deixaria a competição mais atraente para emissoras, patrocinadores e plataformas de streaming.
Dinheiro virou motor da expansão
O interesse dos clubes também passa pela premiação. O Mundial de Clubes passou a oferecer valores muito altos em comparação com outras competições internacionais.
O Chelsea, campeão da primeira edição ampliada, arrecadou uma quantia milionária e virou exemplo do potencial financeiro do torneio. Para clubes que ficaram fora, o recado foi claro: não disputar o Mundial significa perder visibilidade, receita e espaço em um calendário cada vez mais global.
Por isso, a pressão por mais vagas não vem apenas da Fifa. Parte dos próprios clubes europeus quer um torneio maior. Eles enxergam o Mundial como uma nova fonte de dinheiro e influência.
Relação entre Fifa e clubes europeus muda de tom
A possível expansão também mostra uma mudança política. Antes da primeira edição ampliada, havia resistência de clubes e entidades europeias ao projeto da Fifa. A preocupação era que o Mundial de Clubes ocupasse espaço demais no calendário e ameaçasse o peso da Champions League.
Agora, o cenário parece menos conflituoso. A aproximação com a European Football Clubs indica que a Fifa decidiu trazer os grandes clubes para dentro da mesa de decisão, em vez de tentar tocar o projeto sozinha.
O risco para os clubes de fora da Europa
A expansão pode ser vendida como uma chance de incluir mais times. Mas, se o aumento de vagas favorecer demais os europeus, clubes da América do Sul, África, Ásia, Concacaf e Oceania podem perder espaço relativo.
Esse é o ponto sensível. O Mundial de Clubes tem sentido justamente por reunir campeões e representantes de diferentes continentes. Se o torneio crescer apenas para acomodar mais gigantes da Premier League, La Liga, Serie A e Bundesliga, a competição pode ganhar força comercial, mas perder parte de sua identidade.
Para a América do Sul, o debate é direto. Clubes brasileiros e argentinos precisam de um Mundial forte, mas também precisam de critérios que não tornem a competição uma versão estendida da Champions League.
O que está em jogo para 2029
A edição de 2029 ainda não tem formato final oficialmente anunciado. Mesmo assim, a direção do movimento é clara: a Fifa quer um Mundial de Clubes maior, mais lucrativo e mais conectado aos clubes europeus de elite.
Se a expansão para 48 times for confirmada, a competição entrará em uma nova fase. Mais jogos, mais clubes, mais dinheiro e mais pressão sobre o calendário.
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