- A Copa nos EUA, México e Canadá aparece como culto às estrelas, com pouca interação para torcedor raiz.
- O Mundial está muito espalhado, com 16 sedes, o que dificulta cruzar caminhos entre fãs, times e torcidas.
- Em cidades como Dallas, Houston e Miami não há espaços comuns para torcer junto, como praças, bares com mesas e encontros marcados.
- Os ingressos são caros e muitos relatos mostram que torcedores vão aos jogos para ver Messi ou Cristiano Ronaldo, não a seleção.
- Vaias às pausas de hidratação e a decisões de VAR têm sido frequentes, reforçando a sensação de que o futebol perde espaço para o entretenimento e as estrelas.
A Copa do Mundo realizada nos EUA, México e Canadá tem, entre suas marcas, o culto às grandes estrelas e pouca margem para improviso dos fãs. O torneio ocorre em 16 sedes inéditas, com dezenas de bases de treinamento, o que amplia a distância entre torcedores e times. A organização também dificulta o cruzamento de caminhos entre torcidas.
O viajante encontra dificuldades de interação entre torcidas e cidades. Não há um centro claro onde os torcedores se encontrem para assistir aos jogos em conjunto. Em Dallas, Houston e Miami, não se verifica um espaço público com mesas ou bares nas calçadas, comum em algumas Copas anteriores.
A experiência tem sido marcada por altos custos de ingressos. Um torcedor argentino, que vive nos EUA há 25 anos, relatou ter pago cerca de 2.700 dólares por um ingresso, destacando a ausência de ambientes de convivência para torcer em conjunto com compatriotas. Esse panorama ocorre tanto em Houston, durante jogos de Portugal, quanto em Dallas, durante partidas da Argentina.
Os estádios atraem públicos variados, com muitos fãs concentrados em ver Messi ou Cristiano Ronaldo, em vez de apoiar seleções específicas. Em partidas como Argentina x Jordânia, o público demonstra preferência por astros, ainda que o time tenha garantido a liderança do grupo. Messi, quando entrou no segundo tempo, anotou um gol importante para satisfazer parte dos presentes.
A multiplicidade de perfis de torcedores indica uma sociedade americana mais fragmentada. Viajam de diferentes estados, alguns chegam de avião, outros se movem de motorhome para reduzir custos. A diversidade de origens convive com espaços de hotelaria intensamente desenvolvidos nas grandes cidades, o que levanta dúvidas sobre onde residem os torcedores.
Ingressos, acesso e comportamento no estádio
Dentro dos estádios, a atmosfera se distingue pelo volume de som constante, com discursos dos alto-falantes em diferentes momentos. Observa-se menor presença de bandeiras penduradas nos anéis inferiores, possivelmente por restrições de segurança ou menor fluxo de torcedores exibindo faixas.
Quem trabalha nos estádios aparece com expressões carregadas, refletindo uma relação tensa entre organização e público. Tentativas de torcedores de se aproximarem de áreas de batucadas ou de outros setores costumam esbarrar em barreiras de acesso. Em geral, há relatos de fiscalização rígida para o uso de espaços em pé durante as partidas.
A presença de vaias durante as pausas para hidratação tem se intensificado, acompanhando críticas a decisões do VAR e ao ritmo de jogo. Tais manifestações são vistas como uma forma de os torcedores expressarem insatisfação com o futebol apresentado e com a condução dos árbitros.
Entre na conversa da comunidade