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Goleiro preso vira símbolo de protesto na Copa

Torcida iraniana usa jogo da Copa para protestar contra o regime; símbolo ganha força após a prisão do ex-goleiro Rashid Mazaheri

O goleiro Rashid Mazaheri atuando em jogo em 2020. (Foto: Amirreza Ostovari/FARS/Wikimedia Commons)
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  • No empate 0 a 0 entre Irã e Bélgica, no SoFi Stadium, torcedor exibiu cartaz com a pergunta “Onde está Rashid Mazaheri?”.
  • Rashid Mazaheri, ex-goleiro da seleção, está preso desde fevereiro por críticas a Ali Khamenei; a versão oficial aponta tentativa de saída ilegal do país, com detenção perto da fronteira ocidental.
  • A torcida iraniana vaiou o hino e virou as costas em protesto contra o regime, transformando a partida em palco de manifestação.
  • Mazaheri já foi reserva da seleção e participou da Copa do Mundo de 2018; o caso se insere em um contexto de repressão a atletas ligados ao regime, segundo organizações de direitos humanos.
  • O governo dos EUA acusa infiltração de dirigentes com vínculos à Guarda Revolucionária na delegação iraniana; Teerã nega, e opositores dizem que há monitoramento de torcedores em estádios.

Durante o empate 0 a 0 entre Irã e Bélgica, pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, um torcedor iraniano mostrou um cartaz com a pergunta Onde está Rashid Mazaheri? no SoFi Stadium, em Los Angeles. Mazaheri está preso desde fevereiro por críticas ao então líder supremo Ali Khamenei.

O ex-goleiro ficou conhecido como reserva da seleção iraniana e integrou a Copa de 2018, na Rússia. Nos clubes, atuou pelo Esteghlal e pelo Sepahan, assumindo titularidade em momentos da carreira. Um movimento de protesto marcou o jogo, com vaias ao hino iraniano e viradas de costas para o regime.

Mazaheri foi detido após críticas publicadas nas redes sociais a Khamenei, que morreu em ataques envolvendo EUA e Israel em 28 de fevereiro. Em fevereiro, a casa dele foi invadida, celulares e laptops foram apreendidos e a publicação foi apagada.

O Judiciário iraniano informou, semanas depois, que ele estava detido sob acusação de corrupção de funcionário público, propaganda contra o regime em tempo de guerra e tentativa de saída ilegal do país. A esposa, Maryam Abdollahi, relatou confinamento solitário, o que a Justiça negou.

Maryam afirmou que o marido defende o que considera certo e paga o preço. A família foi informada de que Mazaheri ocupava a ala geral da prisão de Urmia, no noroeste, segundo o relato da defesa. Autoridades, no entanto, sustentaram o contrário.

Qualquer ligação entre o futebol iraniano e medidas repressivas ganha destaque neste momento. Organizações de direitos humanos estimam que dezenas de jogadores perderam a vida ou continuam presos por participação em protestos entre 2025 e 2026.

Futebol sob pressão política

Relatórios apontam que pelo menos 44 jogadores foram mortos durante protestos, com outros 10 presos. Casos de jovens e de atletas de várias modalidades aparecem em registros de direitos humanos, incluindo mulheres ligadas ao futebol.

Entre as vítimas, Pedram Khaloui, de 15 anos, foi morto em Isfahan; Mohamad Hajipour, ex-goleiro de futebol de areia, faleceu em Rasht; e Zahra Azadpour, jogadora do Mehrgam Pardis, foi assassinada em Karaj. Árbitra Sahba Rashtian também perdeu a vida.

Casos de condenações, prisões e desaparcimentos seguem sob investigação por órgãos internacionais. Ehsan Hosseinipour Hesarloo e Amirhossein Ghaderzadeh aparecem entre os casos de maior gravidade, segundo organizações de direitos humanos.

A cobertura internacional também destaca a presença de figuras associadas à Guarda Revolucionária em cargos ligados ao futebol iraniano, o que tem sido tema de críticas de opositores. A transmissão de informações sobre ligações institucionais alimenta o debate sobre independência das federações.

A imprensa internacional traz relatos de que parte da delegação iraniana para a Copa de 2026 teve contato com denúncias de infiltração por parte de autoridades americanas. O governo iraniano nega as acusações, classificando-as como infundadas.

Repercussão entre torcidas no exterior

Os primeiros jogos mostraram uma divisão entre torcedores no exterior. Enquanto parte do público apoiou a seleção, outra parcela protestou contra o regime com denúncias de repressão.

Na estreia, contra a Nova Zelândia, torcedores exibiram bandeiras históricas e protestaram fora dos estádios. Durante o duelo contra a Bélgica, vaias ao hino e manifestações dentro do estádio beliscaram a imagem da seleção.

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