- Projeto Instituto Menines Bons de Bola reúne pessoas trans para jogar futebol em espaços públicos do Distrito Federal, já com cerca de cento e cinquenta inscritos.
- O grupo foi celebrado no Dia do Orgulho LGBT+ em Brasília, com o educador físico Loeh da Silva Araújo, brasileiro trans de trinta e dois anos, que passou a atuar pela inclusão.
- Além do esporte, o projeto oferece convivência, cuidado com a saúde mental e pertencimento, ajudando a reduzir a sensação de isolamento.
- Participantes relatam ganhos pessoais: Mayura Kali, 24 anos, destaque como atacante; Lilith Lunar, 25 anos, artesã e bartender, vê fortalecimento social nos encontros.
- O professor destaca que quadras e vestiários historicamente foram espaços de violência e que o projeto busca locais de construção e respeito, com regras para evitar piadas ou apelidos inadequados.
O projeto para resgatar o futebol como espaço seguro para pessoas trans ganhou destaque durante as ações de comemoração do Dia do Orgulho LGBTQIA+ em Brasília. O educador físico Loeh da Silva Araújo, 32 anos, homem trans, abriu caminho ao participar de um evento no Eixão do Lazer neste domingo (28). A iniciativa reúne pessoas trans masculinas e femininas em atividades públicas, além de promover convivência e cuidado da saúde mental, segundo os organizadores.
O projeto Instituuto Menines Bons de Bola, que se encontra às quintas e domingos, já registra 150 inscritas. A proposta visa visibilidade, representatividade e pertencimento para um público que enfrenta hostilidade e exclusão diariamente, conforme relatos dos envolvidos.
Inclusão
Entre as participantes estão Mayura Kali, 24, lojista que também atua com horários extensos de trabalho, e Lilith Lunar, 25, artesã e bartender. Ambas destacam que o futebol se tornou um espaço de destaque e de conversas que não acontecem no dia a dia de trabalho, fortalecendo vínculos e a autoestima.
Ceu Otaviano, coordenador do núcleo trans do movimento Estruturação, afirma que pessoas trans têm sido excluídas de práticas esportivas e que o futebol promovido pelo projeto impacta positivamente a saúde mental.
Espaços violentos
Loeh comenta que muitas alunas relatam que as aulas tradicionais de educação física ocorreram em quadras e vestiários marcados pela violência, incluindo bullying e agressões físicas. Por isso, o projeto prioriza espaços de construção, onde as participantes se sintam protegidas e acolhidas.
Enquanto aguardam as atividades, as participantes podem desabafar durante os revezamentos na quadra, e há regras claras para evitar piadas ou apelidos inadequados durante os jogos.
Sonho de pai
O educador reforça que o projeto demonstra possibilidades de viver com alegria e lazer, não apenas sobreviver. Daymon Luiz, 27, também participa do movimento; pai de uma menina de três anos, ele relata que leva a filha ao futebol e envolve-a em temas de diversidade, esperando um mundo mais inclusivo no futuro.
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