- A ascensão de atletas negros e de mulheres não elimina a subordinação às estruturas de poder no esporte, que permanecem majoritariamente brancas e patriarcais.
- A tese de William C. Rhoden é de que a lógica da “plantation” valoriza negros dentro das quatro linhas, enquanto cargos de direção, gestão e formulação de políticas ficam sob controle branco.
- No Brasil, a distribuição de poder é semelhante, com negros em campo, mas brancos dominando coordenação técnica, direção esportiva e cartolagem.
- Embora haja visibilidade maior de negros na imprensa, o conteúdo de opinião ainda reproduz racismo recreativo; as mulheres enfrentam desigualdade salarial e de oportunidades ainda mais acentuadas.
- Após a carreira, persistem obstáculos: há poucos cargos de liderança para mulheres, exceção feita ao tênis; a coluna promete discutir políticas de Estado para o esporte brasileiro.
O texto analisa como a ascensão de atletas negros e mulheres no esporte não rompe a subordinação à estrutura de poder. A reflexão parte de obras e colunas que discutem racismo, patriarcado e reprodução do modelo branco na gestão esportiva.
A partir de referências históricas, o material aponta que, no esporte brasileiro, cargos de direção, coordenação técnica e cartolagem continuam majoritariamente ocupados por homens brancos. O espaço de decisão não acompanhou a visibilidade midiática.
O artigo recorre a estudos e teses, como a de Donald Verônico, para ilustrar que, no Brasil, negros costumam atuar como jogadores, enquanto posições de comando ficam com brancos. A desigualdade persiste ao longo da carreira.
A análise avalia o papel da imprensa na reprodução de discursos. Embora haja avanços na representatividade masculina negra, o conteúdo crítico ainda reproduz piadas e mensagens depreciativas sobre a negritude, segundo o autor citado.
Além disso, aponta-se que o racismo recreativo ajuda a manter o humor hostil e a normalizar a desvalorização de atletas negros nas transmissões e cobertura. O problema é visto como estrutural, não apenas individual.
No âmbito da participação feminina, o texto destaca disparidades salariais e de oportunidades. Menos remuneração e menos espaço de decisão marcam a trajetória de atletas mulheres, especialmente negras, em clubes e ligas de elite.
A ausência de mulheres em cargos de direção é mencionada como sintoma de um padrão segregado. A coluna levanta a questão de por que há pouca participação de ex-atletas como dirigentes e treinadoras no futebol brasileiro.
Perspectivas e próximos passos
O artigo sugere futura discussão sobre políticas públicas para o esporte, com foco em reduzir a subordinação estrutural. A ideia é propor medidas que promovam equidade de gênero e racial nas federações e clubes.
Convido o público a acompanhar a continuidade da análise, que promete abordar estratégias de Estado para mudança institucional no esporte brasileiro, sem criar expectativas de curto prazo.
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