- Xi Jinping prometeu transformar a China em potência do futebol até 2050, mas a seleção masculina disputou apenas uma Copa, em 2002, e hoje ocupa a 90ª posição no ranking da FIFA, acima de Curaçao.
- Desde 2015, clubes da Superliga chinesa gastaram bilhões em jogadores estrangeiros, mas a formação de atletas ficou de lado e muitos clubes faliram após a crise do setor imobiliário.
- Casos de corrupção revelaram prática sistemática de venda de convocações: o ex-técnico Li Tie foi condenado a 20 anos de prisão e o ex-presidente da federação, Chen Xuyuan, pegou prisão perpéta.
- A raiz do problema está na base: poucos jovens praticantes, pressão escolar, famílias com filho único e falta de gramados e escolinhas, além da cultura de rua de formação de atletas.
- A pandemia de Covid-19 agravou o cenário, fechou estádios e afastou treinadores estrangeiros, sugerindo que futebol de alto nível precisa de produção de base mais forte, não apenas planejamento estatal.
A China não conseguiu transformar o entusiasmo pelo futebol em resultados de alto nível. Xi Jinping prometeu tornar o país potência do esporte até 2050, mas a base de jovens atletas continua pequena e distante de sustentar uma tradição de elite.
A seleção masculina disputou apenas uma Copa do Mundo, em 2002, e foi eliminada na primeira fase. Hoje ocupa a 90ª posição no ranking da Fifa, ultrapassando apenas Curaçao entre seleções da região. O gasto em clubes nunca faltou, mas não gerou a base necessária.
Causas econômicas
Investidores vinculados a grandes incorporadoras financiaram clubes, buscando ganhos políticos e terrenos. Com a crise do setor imobiliário, o dinheiro desapareceu e dezenas de clubes faliram, levando a geração local a definhar.
A corrupção também correu solta. Li Tie foi condenado a 20 anos por suborno; Chen Xuyuan pegou prisão perpétua. O sistema de convocações e promoções ficou comprometido, dificultando a formação de atletas de alto nível.
Formação e cultura do futebol
A base de prática é insuficiente diante da população. Pressão escolar, vestibular, famílias com política de filho único e a escassez de gramados dificultam o desenvolvimento de jovens jogadores.
A pandemia agravou a situação, com estádios vazios entre 2020 e 2022 e afastamento de treinadores estrangeiros. O efeito se somou a déficits já existentes na formação de atletas.
Conclusões sobre o modelo
Vincular o sucesso esportivo a metas de governo mostrou limitações. O futebol de alto nível nasce de competição de base, prática cotidiana e infraestrutura ampla, não apenas de planos administrativos.
Mesmo com infraestrutura com trens-bala e grandes investimentos, o país não conseguiu consolidar atacantes, defensores e meio-campistas de elite, evidenciando desafio estrutural persistente.
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