O International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do futebol, esclareceu que o VAR foi usado de forma incorreta na expulsão de Breel Embolo durante a derrota da Suíça para a Argentina nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026. A entidade publicou na última segunda-feira (27) um documento oficial sobre o […]
O International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do futebol, esclareceu que o VAR foi usado de forma incorreta na expulsão de Breel Embolo durante a derrota da Suíça para a Argentina nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.
A entidade publicou na última segunda-feira (27) um documento oficial sobre o protocolo do árbitro de vídeo. Embora o documento não cite diretamente o jogador, o esclarecimento mostra que a revisão realizada no lance não era permitida pelas regras vigentes.
Embolo caiu após uma disputa com o argentino Leandro Paredes quando a partida estava empatada por 1 a 1. O árbitro inicialmente marcou falta e mostrou o cartão amarelo a Paredes.
Após a intervenção do VAR, o juiz retirou a advertência do argentino e puniu Embolo por simulação. Como o atacante suíço já tinha um cartão amarelo, ele foi expulso. A Argentina venceu o confronto por 3 a 1 na prorrogação.

Foto por DAVID RAMOS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP
Por que a revisão foi equivocada?
O VAR entrou no lance com base no protocolo de “erro de identificação”. Essa regra permite corrigir uma situação em que o árbitro identifica uma infração, mas mostra o cartão ao jogador errado.
Nesse tipo de revisão, porém, o VAR pode corrigir apenas a identidade do atleta punido. A equipe de arbitragem não pode usar as imagens para mudar a interpretação da jogada ou identificar uma infração diferente.
No lance entre Paredes e Embolo, o árbitro havia entendido que o argentino cometeu uma falta. O VAR não se limitou a verificar quem havia cometido aquela infração, ele também reavaliou toda a disputa e concluiu que não houve falta, mas uma simulação do suíço.
Na prática, a revisão transformou uma falta cometida por Paredes em uma simulação de Embolo. Segundo o IFAB, o protocolo de erro de identificação não permitia essa mudança.
Como a regra realmente funciona?
O VAR pode corrigir um erro de identificação quando o árbitro pune o jogador errado por uma infração que já foi marcada.
Por exemplo: o juiz identifica uma falta e mostra o cartão ao camisa 5, mas as imagens comprovam que quem cometeu a infração foi o camisa 6. Nesse caso, o VAR pode informar o erro, retirar a advertência do primeiro atleta e aplicar o cartão ao verdadeiro infrator.
O que o VAR não pode fazer nessa revisão é alterar a natureza do lance. Ele não pode transformar uma falta em simulação, concluir que não houve infração ou criar uma nova punição a partir das imagens.

Foto por DAVID RAMOS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP
E quando há um segundo cartão amarelo?
As regras da temporada 2026/27 permitem que o VAR intervenha quando um jogador recebe um segundo cartão amarelo claramente equivocado e, por consequência, é expulso.
Nesse caso, a revisão serve para cancelar uma advertência que já foi aplicada incorretamente. O VAR não pode, porém, procurar uma infração que passou despercebida para recomendar um novo segundo amarelo.
Essa possibilidade também não justificava a expulsão de Embolo. Antes da revisão, o segundo cartão havia sido mostrado a Paredes, e não ao suíço. A intervenção do VAR criou uma nova punição por simulação, em vez de apenas corrigir um segundo amarelo já aplicado.
IFAB estuda mudança no protocolo
O IFAB informou que a utilização do protocolo para identificar simulações durante a Copa do Mundo teve uma recepção positiva e será considerada na revisão detalhada das regras do VAR.
A entidade ressaltou, no entanto, que esse procedimento não poderá voltar a ser utilizado até que a análise seja concluída e uma eventual mudança seja oficialmente aprovada.
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