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Atleta afirma que presidente não quer pessoas com deficiência no Flamengo

Reestruturação dos esportes olímpicos do Flamengo provoca revolta de atletas e famílias; cortes atingem pararemo, canoagem e base, sob alegação de contenção de gastos

Gessyca e Michel em competição de pararemo pelo Flamengo (Foto: Reprodução/Instagram)
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  • O Flamengo está reestruturando esportes olímpicos e de base, e atletas com familiares relatam decisões tomadas sem diálogo e comunicação informal, gerando revolta entre as famílias envolvidas.
  • O encerramento do pararemo, até então a única modalidade paralímpica mantida pelo clube, é apontado como símbolo da crise, com relatos de cortes discutidos por “rádio corredor” e decisão atribuída à presidência por motivos de gastos.
  • Na canoagem, a dispensa de atletas ocorreu sem reunião clara, incluindo a saída do campeão Isaquias Queiroz, surpreendendo grupos que treinavam há anos no clube.
  • Em judô, o fim das categorias sub‑13 e sub‑15 atingiu famílias de base, que passaram a arcar com custos antes custeados pelo Flamengo, aumentando o apoio financeiro às competições.
  • Segundo relatos, a gestão estaria priorizando esportes com maior potencial de retorno financeiro, e não houve manifestação oficial da diretoria sobre o conjunto de mudanças.

O Flamengo está promovendo uma reestruturação em seus esportes olímpicos e de base, que tem gerado descontentamento entre atletas e familiares. A mudança envolve cortes de equipes e redução de despesas, segundo relatos coletados pela reportagem.

Entre os motivos apontados, a gestão atual é acusada de agir sem diálogo, com comunicação informal e decisões que teriam vindo de níveis superiores, segundo atletas que participaram de campeonatos internacionais com o clube.

A reestruturação é mais simbólica no pararemo, até então a única modalidade paralímpica mantida pelo Flamengo, que pode ser encerrada. Grupos de atletas teriam tomado conhecimento do possível corte por meios informais, antes de qualquer anúncio oficial.

A atleta Gessyca Guerra relata que o grupo soube da possibilidade de cortes por via de corredores informais, e que a justificativa citava contenção de gastos vinculada ao presidente do clube. Segundo ela, a derrota seria para o paradesporto e a formação de jovens.

Ela afirma que houve reunião com o gerente, que indicou a sugestão de cortar salários de atletas com contrato. Em delegações internacionais, o anúncio foi visto como desrespeitoso e inaceitável por atletas de alto rendimento.

A decisão é questionada por não haver sustentação esportiva ou financeira, segundo as atletas. O projeto paralímpico vinha ha meses apresentando títulos e presença em finais de Mundiais, o que torna o encerramento incompatível com o histórico de resultados.

Uma afirmação da direção, apontada por uma atleta, sugere que o presidente não quer ter pessoas com deficiência no Flamengo, o que seria interpretado como alinhamento com cortes que afetam várias modalidades, não apenas o pararemo.

Na canoagem, o fim da modalidade ocorreu de forma semelhante, com dispensa de atletas por telefone e sem reunião para explicar as mudanças. Isaquias Queiroz foi citado como campeão olímpico impactado pela decisão.

Gabriel Assunção, atleta dispensado, diz ter tomado conhecimento do encerramento por telefone, sem detalhamentos. Ainda que residisse fora do Rio, ele aponta o choque entre o grupo ao saber da saída do campeão.

Os efeitos atingem as categorias de base. No judô, o fim das equipes sub-13 e sub-15 gerou indignação entre pais. Isabela Mourão relata mudanças de custeio que passaram a recair sobre as famílias.

Isabela destaca que, antes, o clube arcava com federação e inscrições. Com a mudança, as famílias passaram a pagar se o atleta não conquistasse medalha, aumentando a pressão financeira.

Ela acrescenta que o impacto emocional é relevante, com muitas crianças perdendo vínculos com o Flamengo e buscando outras opções no Rio. Famílias mencionam insegurança quanto à viabilidade de continuidade.

Willians Sena, pai das Irmãs Sena, relata que a comissão técnica assegurou a permanência das meninas, mas houve uma reunião em que o presidente decidiu pela não continuidade de sub-13 e sub-15, levando ao corte.

O pai enfatiza que a gestão parece privilegiar esportes com retorno financeiro, sugerindo que o objetivo é manter apenas modalidades lucrativas, deixando de lado o projeto social e formativo.

Críticas apontam para uma gestão com pouca transparência e foco em resultados imediatos, o que colocaria em xeque o compromisso histórico do clube com a base e o esporte olímpico.

A reportagem procurou a diretoria do Flamengo, que não se manifestou até o fechamento desta edição. As informações são centradas em relatos de atletas, familiares e pessoas próximas aos projetos atingidos.

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