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85% da neve das Olimpíadas de Inverno é artificial

Oito em cada dez nevadas usadas nas Olimpíadas de Milão-Cortina serão artificiais, gerando demanda hídrica e impactos ambientais e esportivos.

Fotografia de uma máquina que faz a neve artificial.
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  • As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina começaram na sexta-feira, 6, e vão até 22 de fevereiro.
  • Cerca de oitenta e cinco por cento da neve usada é artificial, produzida por máquinas a partir de água bombeada para reservatórios em altitude.
  • Ao todo serão cerca de 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, consumindo 946 milhões de litros de água.
  • Mais de cento e vinte e cinco canhões de neve foram instalados em Cortina d’Ampezzo, Bormio e Livigno, com apoio de reservatórios de montanha.
  • A produção de neve artificial está se tornando parte estrutural dos Jogos devido aos invernos mais curtos e mais quentes, com exemplos recentes em Sochi (2014), PyeongChang (2018) e Pequim (2022); o Comitê Olímpico Internacional busca soluções para tornar futuras edições “climaticamente positivas” a partir de 2030.

A edição de Milão-Cortina d’Ampezzo, na Itália, começou na sexta-feira (6) e segue até o dia 22. Cerca de 85% da neve utilizada nas competições será produzida artificialmente, através de água bombeada para reservatórios de altitude e liberada por centenas de canhões. A medida busca garantir pistas estáveis mesmo com invernos mais curtos.

No total, o evento terá cerca de 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, consumindo 946 milhões de litros de água. O montante equivale a aproximadamente um terço do estádio do Maracanã, segundo cálculos do instituto Talanoa.

Mais de 125 canhões estão instalados em Cortina d’Ampezzo, Bormio e Livigno, com reservas criadas em áreas montanhosas. A prática acompanha uma tendência de longa data, impulsionada pelo aquecimento global e pela redução de dias com temperaturas abaixo de zero.

Contexto climático e uso de neve artificial

Cortina registra aumento de 3,6 °C na temperatura média de fevereiro desde 1956. A quantidade de dias abaixo de zero caiu de 214 para 173, queda de quase 20%. A profundidade da neve em fevereiro também recuou cerca de 15 cm desde os anos 1970.

Analyses da Climate Central indicam que 19 cidades-sede de Jogos de Inverno desde 1950 aqueceram, em média, 2,7 °C. A produção de neve artificial tornou-se parte estrutural das provas, com 80% em Sóchi 2014, 98% em PyeongChang 2018 e 100% em Pequim 2022.

Desafios e limites da técnica

A neve de máquinas exige temperaturas negativas prolongadas para fixação estável. Oscilações em torno de zero aumentam riscos de chuva sobre as pistas, irregularidades e superfícies escorregadias. Além disso, o processo consome grandes volumes de água e energia, impactando recursos hídricos locais.

A densidade maior da neve fabricada reduz a absorção de impactos e pode retardar o derretimento na primavera, afetando o ciclo natural da água e solos frágeis de montanha.

Impactos adicionais e perspectivas

A persistência da neve artificial aumenta os custos de treinamento, deslocando equipes entre continentes. Estudos apontam que, até 2050, apenas four localidades poderiam sediar sem neve artificial: Niseko, Terskol, Val d’Isère e Courchevel.

Para o Comitê Olímpico Internacional, a prioridade é a segurança dos atletas. Planos para futuros Jogos visam ser climáticamente positivos a partir de 2030, com calendário antecipado, concentração em fevereiro ou modelo rotativo com sedes confiáveis climáticamente.

Observações por satélite mostram que o gelo marinho do Ártico permanece abaixo da média histórica. Em setembro de 2012 houve recorde de mínima extensão; em dezembro de 2025, o gelo cobria 12,45 milhões de km², ainda abaixo da média 1991–2020.

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