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Dor abdominal durante o exercício: relação entre movimento, peritônio e respiração

ETAP resulta do atrito entre peritônio e ligamentos durante o movimento; respiração superficial e distensão gástrica intensificam a dor

abdominal_depositphotos.com / AllaSerebrina
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  • Dor abdominal transitória relacionada ao exercício (ETAP) é dor aguda, geralmente abaixo das costelas, que surge durante atividades com movimento repetitivo do tronco e tende a diminuir com a redução da intensidade ou pausa.
  • Não é cãibra no baço; a ETAP envolve uma interação entre peritônio e ligamentos que sustentam órgãos abdominais, podendo ocorrer em ambos os lados do abdômen.
  • O peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal) pode ficar mais irritado por atrito entre suas camadas durante o exercício, especialmente com respiração superficial e movimento repetido.
  • Ligamentos que conectam estômago, fígado e diafragma, além da distensão gástrica após alimentação, contribuem para a dor quando sofrem tração durante atividades com impacto ou alta demanda.
  • Prevenção e alívio incluem alimentação leve antes do treino, hidratação gradual, aquecimento progressivo, treino de respiração diafragmática e fortalecimento do core; em caso de dor, reduzir o ritmo, pressionar levemente a região, alongar o lado afetado e respirar de forma mais lenta e profunda.

Durante caminhadas rápidas, corridas leves ou treinos com maior intensidade, surge de forma súbita a dor conhecida como ETAP, ou Dor Abdominal Transitória Relacionada ao Exercício. O desconforto surge abaixo das costelas e interrompe o ritmo da atividade, sem relação com o baço segundo estudos recentes.

Ao contrário da explicação popular, a ETAP não é uma cãibra no baço. A dor pode ocorrer dos dois lados do abdômen, inclusive em esportes com pouco impacto. Exames de imagem durante o episódio não mostram contração anormal do baço, apontando para outras estruturas como peritônio e ligamentos que sustentam os órgãos abdominais.

O papel do peritônio

O peritônio é uma membrana que reveste a cavidade abdominal e envolve órgãos. Durante o exercício, o atrito entre o peritônio parietal e o visceral pode aumentar, gerando irritação local. O movimento repetido do tronco e a respiração influenciam essa interação, elevando a sensibilidade das terminações nervosas da região.

A atuação dos ligamentos que conectam estômago, fígado e diafragma também é relevante. A tração contínua desses tecidos, somada ao peso de uma refeição excessiva, pode intensificar o desconforto. Distensão gástrica após alimentação é citada frequentemente por atletas como fator contribuinte para a ETAP.

Respiração e prevenção

A respiração desempenha papel central: padrões rápidos e superficiais reduzem a eficiência do diafragma e aumentam a tensão nos pontos de fixação. Respiração mais profunda tende a diminuir a intensidade da dor, mesmo sem interromper totalmente o exercício. Técnicas de respiração podem reduzir episódios recorrentes.

Para prevenir, a medicina esportiva recomenda planejamento alimentar, hidratação adequada, aquecimento gradual, treino de respiração diafragmática e fortalecimento do core. Evitar grandes refeições nas 2 a 3 horas antes da prática também contribui para reduzir o risco.

O que fazer durante o episódio

Se a dor já estiver instalada, vale reduzir o ritmo, pressionar levemente a região durante a expiração e alongar o lado afetado. Adotar uma respiração mais lenta e profunda pode ajudar a prolongar a fase de expiração. Essas medidas, associadas a ajustes na cadência do exercício, costumam trazer alívio gradual.

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