- Ultra-Trail Australia Miler, percurso de mais de 163 km com mais de 7.000 metros de elevação, considerado uma das provas mais dures do país, com cerca de oito mil participantes.
- Acompanhamos Joanne Walker ao longo da prova, que passa por pontos como Megalong Valley, Sceninc World e Katoomba, incluindo a descida de 1.000 degraus até o Grand Canyon track.
- Walker ficou sem sono por mais de 30 horas, enfrentou dor intensa nos pés, joelhos e visão turva, e precisou de apoio da sua família durante a prova.
- A corrida foi marcada pelo equilíbrio entre esforço extremo e motivação pessoal, com Walker refletindo sobre o significado do sofrimento e a busca por limites.
- Ao final, após quase quarenta e quatro horas, Walker conquistou a medalha com a ajuda e a presença dos filhos Ben, 14 anos, e Sidney, 11 anos, e do parceiro Cam Pond.
A Guardian Australia acompanha a ultramaratonista Joanne Walker em uma prova extenuante pelos Blue Mountains, oeste de Sydney. A prova Ultra-Trail Australia reúne mais de 8 mil corredores em cinco eventos, sendo o miler, o percurso mais longo com 163 km e mais de 7 mil metros de ganho de elevação. Walker treina há meses para suportar o cansaço extremo, a falta de sono e o frio das florestas australianas.
Ao longo de mais de 40 horas sem dormir, Walker encara trechos de subida íngreme, descidas pesadas e trechos de trilha que parecem não ter fim. O corpo costuma falhar antes da mente, e o desafio é manter o foco para chegar a cada ponto de apoio. Mesmo em meio à dor, a maratona continua, com o apoio da família que a acompanha desde a Nova Zelândia.
Percurso e apoio
O percurso começa antes do amanhecer, em Scenic World, em Katoomba, com a corrida estendendo-se por áreas remotas do Megalong Valley. Ao passar dos 117 km, a atleta encontra pontos de apoio com alimento e água, essenciais para continuar, enquanto familiares acompanham o andamento via GPS.
Walker recebe a ajuda de um dos filhos e de seu parceiro, que monitoram o trajeto e asseguram a reposição de itens básicos. Em cada estação, há troca de energias com pequenos gestos, como o envio de água, comida ou itens de higiene para manter o ritmo.
Desafios físicos e psicológicos
Entre as dificuldades, destacam-se pés inchados e joelhos pressionados pelo impacto, além de episódios de tontura e exaustão mental. Em determinados momentos, a atleta descreve a necessidade de se deitar no asfalto para recuperar forças, avançando apenas por alguns minutos.
No trecho final do percurso, Walker enfrenta a chamada “shuffle”, um andar entre corrida e caminhada, que demanda concentração para manter o ritmo. A cada passo, a dor é adaptada pela estratégia de foco na próxima subida ou na próxima estação de apoio.
Motivação e corrida
Ao longo da prova, Walker busca motivos para continuar: a ideia de que o sofrimento pode ter propósito e a necessidade de provar a si mesma que o corpo responde aos desafios. O envolvimento da família, que participou ativamente com suporte logístico, é citado como parte fundamental para a continuidade da corrida.
Na etapa final, com a última subida de 951 degraus, a atleta cruza a linha de chegada após quase 44 horas no trajeto. O medalhão é colocado, marcando a conclusão de uma jornada marcada por esforço físico intenso e resiliência mental.
Contexto da prova e participação
Dados da edição deste ano indicam predominância masculina entre os participantes, embora haja presença crescente de mulheres no Ultra-Trail Australia. A participação de Walker, com o apoio de familiares, destaca o papel da rede de suporte em provas ultramaratonistas e reforça o debate sobre igualdade de gênero no esporte de endurance. A ultramaratona permanece como uma das provas mais desafiadoras do país, exigindo planejamento, resistência e adaptação constante.
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