- O Enhanced Games, em Las Vegas, permite o uso de esteróides, testosterona e hormônio de crescimento, contrastando com regras do esporte tradicional; a competição ocorre neste fim de semana.
- São 42 atletas em disputa, incluindo olímpicos, com prêmios significativos: o nadador Andriy Govorov pode ficar em torno de $1 milhão se obtiver bons resultados; Ben Proud e Fred Kerley também buscam bônus altos.
- A World Anti-Doping Agency classifica o evento como perigoso e irresponsável, destacando possíveis efeitos a longo prazo e até mortes associadas a substâncias proibidas.
- O cofundador Christian Angermayer defende o projeto como parte de uma megatendência de aprimoramento humano, com intenção de atrair centenas de milhões de espectadores e vender produtos relacionados.
- Govorov afirma ter feito avaliação de riscos e benefícios com supervisão médica, esperando melhorar o recorde mundial; ele cita ganhos financeiros de até $500 mil por 20 segundos de prova.
No domingo, Las Vegas recebe os Enhanced Games, torneio que permite o uso de substâncias proibidas para melhorar desempenho. O evento reúne 42 atletas de natação, atletismo e levantamento de peso, com premiação potencial de milhões de dólares. A disputa é apresentada como um impulso para avanços humanos, mas é alvo de críticas de entidades regulatórias.
Entre os participantes está o ultramaratonista da natação Andriy Govorov, recordista mundial dos 50 m borboleta. Govorov passou por aplicações de substâncias de melhoria antes de competir e afirma ter sentido ansiedade no início do uso, descrevendo o peso emocional de não haver retorno. O atleta também menciona desconfortos com agulhas.
A competição ocorre neste fim de semana na Resorts World, em Las Vegas, com o objetivo de quebrar marcas e, para alguns integrantes, acumular renda expressiva. Além de Govorov, o leque inclui nomes como Ben Proud, britânico medalhista olímpico, e Fred Kerley, campeão mundial dos 100 m em 2022. A expectativa é de ganhos consideráveis para vencedores.
A proposta gera impasse entre o público e o mundo esportivo. A World Anti-Doping Agency classifica o conceito como arriscado e irresponsável, destacando que o uso de substâncias proibidas pode trazer efeitos colaterais graves a longo prazo e até fatalidades em alguns casos. A entidade recomenda cautela e supervisão médica.
Christian Angermayer, cofundador do evento, defende a abordagem como parte de uma megatendência de aprimoramento humano e biotecnologia. Ele afirma que o interesse envolve produtos que possam retardar o envelhecimento e melhorar desempenho, com mercado amplo. Ainda assim, admite que o projeto depende da supervisão médica e de segurança.
Especialistas ressaltam que, mesmo com aprovação regulatória em alguns órgãos, não há comprovação de segurança a longo prazo para uso recreativo ou esportivo. A organização garante que potes de uso médico serão disponibilizados sob prescrição, conforme regulamentos locais, mantendo o foco na supervisão clínica.
Govorov afirma que participa com um equilíbrio entre benefícios e riscos, submetendo-se a avaliações de saúde e informando-se sobre efeitos adversos. Ele descreve ganhos financeiros significativos caso alcance recordes e supere marcas atuais, o que justifica, em parte, a adesão ao programa.
Enquanto o evento acontece, críticos reiteram a gravidade dos impactos à saúde e à integridade esportiva. A investigação e o debate sobre os limites de doping devem acompanhar os resultados da competição, com atenção às evidências sobre efeitos a curto e longo prazo.
Entre na conversa da comunidade