- Cado Santos vai correr a Comrades Marathon, ultramaratona da África do Sul de quase 90 quilômetros, em junho, missão que nasceu a partir de conhecer a prova há anos e acreditar que era possível.
- A preparação ganhou impulso a partir de outubro de dois mil e vinte e três, quando passou a correr todos os dias, elevando o volume semanal para cerca de oitenta a cem quilômetros.
- As inscrições extracellularmente quase não aconteceram: tentou, perdeu a chance, recuperou a tela de pagamento e, depois de um susto, conseguiu efetivar a inscrição e iniciou treinos sob orientação do treinador Sidney Togumi.
- Em Piracicaba, acompanhou o grupo da Ztrack durante a participação de Avelino, ultramaratonista com disautonomia, o que reforçou a sensação de irmandade associada à Comrades.
- O corredor admite medos — da distância, da subida e do quilômetro sessenta — e não sabe se irá completar a prova, mas segue acompanhando os passos rumo à Comrades pela CR.
Por que fui inventar de correr a Comrades? Vou disputar a Comrades Marathon em junho, compartilhando aqui a preparação, os treinos, os medos e a logística para quase 90K.
A prova é uma das mais tradicionais do mundo, realizada desde 1921 e com distâncias entre 85 e 90K, variando conforme o percurso de cada ano. Sua trajetória mistura subida, descida e uma cultura de convivência entre atletas.
A história começou na relação com a Milk, empresa de corrida em que atuo. Em uma feira de running em São Paulo, conheci pela primeira vez a ideia da Comrades e um sul-africano simpático, que me disse de forma simples que dá para fazer a ultramaratona.
Um brasileiro na Comrades
Ao longo dos anos, passei a ouvir mais sobre Nato Amaral, ultramaratonista brasileiro e embaixador da prova. A partir dele, entendi que a Comrades é, acima de tudo, uma relação entre atletas e comunidade, não apenas uma distância extrema.
Conheci também a Zilma Rodrigues, ultramaratonista brasileira, que trouxe medalhas e histórias da prova. Uma lembrança marcante foi um chaveiro com réplica da medalha da 90ª edição, presente que carrego desde então.
Em conversas com Nato, percebi que a paixão pela Comrades não está na distância, mas no senso de pertencimento criado pela prova. Foi aí que ganhei motivação para pensar seriamente na participação.
Inscrições e início da reta final
No fim do ano passado, fiquei sabendo que as inscrições estavam abertas. Tentei registrar, houve uma falha, a página expirou, e pensei em desistir. Voltei aos poucos, refiz o processo e consegui confirmar a inscrição após nova tentativa.
A partir de então, passei a treinar com mais consistência, com apoio do treinador Sidney Togumi. A ideia de completar a Comrades ganhou viabilidade prática após esse ajuste de calendário e treino.
A experiência de Piracicaba
Recentemente, em Piracicaba, durante uma maratona, vivi um momento decisivo ao acompanhar uma equipe que apoiava um corredor com disautonomia. A organização de ritmo e o apoio coletivo mostraram o espírito de irmandade da prova que tanto me atrai.
Cruzamos a linha com 4h56min, em meio a incentivo, controle de pace e humor. A sensação foi de concluir um longo treino entre amigos, o que ajudou a entender melhor por que atletas retornam à Comrades repetidamente.
O que vem pela frente
Ainda sinto o peso da distância, o desafio da subida e o medo do quilômetro 60. Mas a proximidade com a Comrades cresce a cada treino. Por ora, sigo com treinos longos, ajustes de ritmo e preparação psicológica para junho.
Acompanhe os próximos passos de Cado Santos rumo à Comrades nesta editoria, com atualizações sobre treinos, logística e evolução da preparação.
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