- O rei Charles III recebeu, em Clarence House, a equipe feminina de críquete do Afeganistão, atualmente em exílio devido à proibição do regime talibã ao esporte feminino.
- A maior parte das jogadoras deixou o Afeganistão e hoje são refugiadas na Austrália.
- Elas disseram que representam as mulheres que não podem jogar esporte no país e sonham em competir oficialmente pelo Afeganistão, com a bandeira nacional.
- O encontro ocorreu durante partidas-exibição realizadas enquanto a Copa do Mundo feminina de críquete é disputada na Inglaterra.
- Um momento marcado foi a conversa em que Ekil Latifi pediu ao rei para dizer uma palavra “fina”; ele respondeu com bom humor, após ser presenteada com uma camisa autografada.
King Charles recebeu a seleção feminina de críquete do Afeganistão, grupo em exílio e proibido de representar o país pelo regime Taliban. O encontro ocorreu em Clarence House, em um dia de calor intenso, como gesto simbólico de apoio ao elenco, que ainda enfrenta barreiras para atuar no afeganistão.
As jogadoras relataram que fugiram do Afeganistão para manter o sonho de praticar esporte. Entre as presentes, Ekil Latifi disse que a equipe representa todas as mulheres que não podem jogar no país. O monarca afirmou que apoiar o que desejam fazer é importante.
Latifi, que deixou o país em 2021 aos 17 anos, também destacou a meta de inspirar outras mulheres a perseguirem o críquete, mesmo fora do Afeganistão. Hoje ela atua como treinadora e vê a equipe como lição de perseverança para quem enfrenta vias limitadas.
Shabnam Snahsan mostrou decepção pela impossibilidade de disputar a Copa do Mundo feminina neste verão, mas comemorou o encontro com o rei e o apoio público. Ela pontuou que, no Afeganistão, mulheres enfrentam restrições para estudar, sair e praticar esportes.
Durante a visita, os cliques foram em clima de confraternização: Latifi entregou ao rei uma camisa autografada e a equipe colou um emblema de Afghan Women’s XI na jaqueta dele, em meio à onda de calor.
Os relatos das atletas revelaram ainda as dificuldades de vida no exílio, incluindo os trajetos de fuga pelos checkpoints do Taliban e as línguas faladas em casa. Elas destacaram que o encontro ajudou a colocar a situação em pauta.
A conversa também abordou o cenário esportivo do Afeganistão, com a imposição de restrições ao críquete feminino após o controle dos talibãs. A esperança das jogadoras é ver o críquete feminino atuando novamente sob a bandeira nacional.
O encontro teve o propósito de registrar o apoio a uma modalidade que, para as atletas, vai além do esporte: é uma forma de resistência e de manter a esperança de que um dia possam competir oficialmente, com legitimação e reconhecimento.
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