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ATP planeja reduzir duplas; tenistas avaliam ação jurídica

Duplas de tênis ameaçam ação jurídica após plano da ATP de reduzir o circuito a partir de dois mil e vinte e oito, com impacto no sustento de jogadores e equipes

Fernando Romboli e John Patrick Smith na primeira rodada de Wimbledon em 2026
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  • A ATP apresentou em Wimbledon um plano para reduzir drasticamente as duplas a partir de 2028, reduzindo para 16 parcerias nos Masters 1000 e para oito nos ATPs 250 e 500.
  • A proposta muda a distribuição de premiação, de 80-20 para 90-10 a favor das chaves de simples.
  • Haveria prioridade de simples na formação de chaves de duplas em torneios Challenger, com o dinheiro economizado destinado a aumentar a premiação de simples nas primeiras rodadas dos Masters 1000.
  • Os duplistas divulgaram um comunicado defendendo a modalidade e cogitando ação jurídica, citando impactos no sustento de muitos profissionais e comparando com o caso de 2005 envolvendo os irmãos Bryan.
  • O texto de defesa enfatiza que duplas são parte relevante do tênis, com carreiras longas e alcance global, e cobra diálogo com a ATP, apontando que a redução prejudicaria a categoria e o ecossistema do esporte.

A ATP revelou, na última terça-feira durante o All England Club, em Wimbledon, um plano para reduzir drasticamente o circuito de duplas a partir de 2028. A medida seria implementada após uma apresentação a um grupo de cerca de 50 duplistas.

Entre as propostas estão: reduzir as chaves de duplas para 16 nos Masters 1000 e 8 nos eventos 250 e 500, mudar a distribuição de prêmios para 90/10 a favor das simples, priorizar os rankings de simples na formação de duplas nos Challenger e usar a economia para aumentar a premiação na primeira rodada dos Masters 1000.

A reação dos duplistas foi imediata. Em comunicado divulgado nesta sexta, eles defendem a modalidade e cogitam ação jurídica. A bancada argumenta que a medida reduziria o número de atletas que vivem do tênis de duplas e impactaria treinadores, clubes e federações.

Historicamente, a possibilidade de litígio não é inédita. Em 2005, irmãos Bryan entraram com processo contra a ATP quando a entidade discutia o uso de no-ad, break tiebreak e obrigatoriedade de entrar nas chaves de simples. A demanda não impediu que mudanças públicas fossem implementadas.

No texto dos duplistas, o corte seria suficiente para manter apenas cerca de 30 atletas financeiramente sustentáveis. Também questionam a alegação de que as duplas geram prejuízo e acusam a ATP de rejeitar ofertas de marketing apresentadas pelos próprios atletas.

Os duplistas afirmam que o esporte depende de equipes técnicas e federações que sustentam o circuito. O comunicado ressalta que o marketing atual não explora adequadamente o potencial da modalidade e que há falhas na transmissão de eventos, além de uma organização deficiente.

Além disso, os atletas destacam que as duplas costumam ter carreiras mais longas e entregam momentos marcantes em grandes torneios. Eles defendem que a modalidade tem expansão global e que o tênis vive recordes de audiência e de prática, com mais de 100 milhões de praticantes.

A ATP afirma que o tênis atravessa um momento econômico forte, com público global, transmissões robustas e remuneração elevada para jogadores. Ainda não há confirmação de quando as mudanças começariam a vigorar na prática, além da data de 2028 previamente anunciada.

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