Na USP, a Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) abriga estudo que mapeia lutas contra o racismo no esporte olímpico brasileiro. A pesquisa identifica modos de resistência a partir de trajetórias de atletas negros. O foco é compreender a presença negra em um sistema esportivo marcado por históricas contradições.
O estudo de doutorado é apresentado pelo pesquisador Neilton de Sousa Ferreira Júnior, sob orientação de Kátia Rúbio, da Faculdade de Educação (FE). O objetivo é interpretar as formas de luta e resistência no cenário olímpico do Brasil. A obra tem o título Olimpismo negro: uma antologia das resistências ao racismo no esporte, por atletas olímpicos brasileiros.
Ferreira analisa a história de quatro atletas brasileiros: Alfredo Gomes, que conduziu a bandeira na abertura de Paris 1924; Melânia Luz, a primeira mulher negra a integrar uma delegação olímpica brasileira; Soraia André, judoca em Barcelona 1992; e Diogo Silva, lutador de taekwondo com conquistas pan-americanas e mundial universitário.
A partir das biografias, o pesquisador ressalta que o racismo persiste no esporte, mas as trajetórias negras revelam estratégias de resistência e de adaptação. Segundo ele, esse conjunto de relatos dialoga com experiências da diáspora negra, mesmo fora do campo esportivo.
Abordagens e desdobramentos
As biografias ajudam a entender como o acaso, o desempenho e a visibilidade pública influenciam a experiência de atletas negros. A pesquisa pretende oferecer uma leitura interpretativa das resistências presentes no Olimpismo brasileiro.
Os resultados buscam contribuir para debates sobre equidade e políticas esportivas no Brasil. A antologia pretende ampliar o diagnóstico sobre as relações raciais no esporte de alto rendimento. O estudo está vinculado à EEFE/USP e à produção acadêmica nacional.
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