O debate sobre a qualidade dos gramados no football brasileiro ganhou força após o Flamengo enviar uma proposta de padronização dos campos à CBF. A discussão envolve sombra, tempo de jogo, uso de estádios da Copa e tecnologias de manutenção.
Especialistas e fornecedores ouvidos pelo Lance! apontam fatores-chave: calendário com alta carga de jogos, estádios com arquitetura que favorece sombreamento e a necessidade de recuperação rápida das árvores. Também entra a influência da iluminação nos gramados.
A seguir, apresentam-se os pontos centrais do tema, com informações sobre impactos atuais, soluções em estudo e perspectivas para a próxima temporada.
O que está acontecendo
O Brasil enfrenta desgaste crônico dos gramados, especialmente em estádios com muitos jogos e pouca luz natural. A queda de desempenho da grama afeta o desempenho técnico, segundo especialistas.
Propostas de padronização defendidas pelo Flamengo ganham adesão de parte do setor, que busca melhoria técnica e redução do uso de gramados sintéticos na elite. A CBF ainda não decidiu o caminho definitivo.
Por que isso ocorre
O coordenador da Itograss, Rodrigo Santos, aponta dois fatores críticos: o alto número de partidas e a sombra criada pela arquitetura moderna dos estádios. Além disso, o clima não é o principal problema, desde que a grama seja adequada ao ambiente.
A iluminação irregular e o calendário comprimido reduzem o tempo de recuperação do gramado. O aquecimento prolongado de atletas dentro do campo também aumenta o desgaste da grama natural.
Tecnologias e avanços
A North Bridge Bermuda, gramado desenvolvido para a Copa de 2026, chega ao Brasil com planos de uso em estádios do Rio de Janeiro e no Maracanã. A variedade promete maior densidade, folhas menores e melhor resistência ao inverno.
A Greenleaf e a Itograss destacam o Play on Time e a ideia de turf farms — fazendas próximas aos estádios para substituição rápida de gramado. Essas soluções visam manter o gramado em condições ideais entre partidas e shows.
Desafios específicos por estádio
Maracanã, Mineirão, Morumbi e Arena Castelão aparecem entre os campos com maior demanda de manutenção devido ao volume de jogos e a uso multiuso. O sombreamento repetido nesses estádios dificulta a proteção da grama natural.
Casos de estádio com alta concentração de eventos, como a Fonte Nova, reforçam a necessidade de planejamento para conciliar partidas e shows sem comprometer a qualidade do gramado.
Gramado sintético ou natural?
Clubes da Série A adotam gramado sintético para ampliar receitas por meio de eventos. Profissionais, no entanto, enfatizam que o futebol técnico tende a exigir gramados naturais de maior qualidade, com uso restrito de sintéticos em arenas principais.
Defensores do sintético sugerem que ele pode ficar reservado para centros de treinamento e categorias de base, enquanto o gramado natural continua como preferência para competições de alto nível.
Panorama internacional
Profissionais com experiência no exterior destacam que a qualidade de gramados no Brasil está abaixo da desejada, especialmente na formação de base. Em alguns mercados internacionais, estruturas e maquinários recebem mais investimento para manter o gramado em altos padrões.
Comparações com o México e a Arábia Saudita exibem variações entre estádios de grande investimento e campos de menor aporte. Mesmo com partidas da Copa de 2026 no México, Canadá e EUA, grandes estádios tendem a manter gramados de alta qualidade.
Caminhos para o futuro
Especialistas sugerem planejamento estratégico para tratar o gramado durante janelas de Datas Fifa e temporadas. Investimento em tecnologias, táticas de reposição rápida e gestão de infraestrutura podem elevar o nível técnico dos campos.
O objetivo é reduzir a dependência de soluções paliativas e avançar para estádios com gramados estáveis, recuperáveis e menos vulneráveis a sombras e ao calendário apertado.
Entre na conversa da comunidade