Denise Fernandes, treinadora licenciada pela Conmebol e formadora de treinadores pela FIFA, defende uma visão humanizada do esporte. Em entrevista ao Lance!, ela revisita sua trajetória e revela o objetivo de chefiar uma seleção brasileira, feminina ou masculina.
Iniciou no esporte como atleta em várias modalidades, incluindo futsal e futebol universitário, sem viver exclusivamente do jogo. Durante 23 anos, atuou na área escolar, priorizando formação de pessoas antes de atletas.
A virada ocorreu no futebol feminino, em Natal, quando percebeu a falta de projetos estruturados para meninas. Passou a desenvolver bases, formar atletas e criar trajetórias reais, abrindo espaço para sonhos antes improváveis.
Formação e visão
Entre 2021 e 2025, Denise concluiu todas as etapas até a Licença Pro, com validação da Conmebol, além de cursos de desempenho. O investimento atingiu cerca de 30 mil reais, princípio que sustenta sua atuação fora das apresentações.
Logo após a Licença Pro, foi convidada para atuar como formadora de treinadores da FIFA, ampliando o alcance de seu trabalho. Para ela, a formação é condição básica para mulheres ocuparem liderança no futebol.
A mentoria ganhou espaço porque atletas e famílias buscaram orientação sobre carreira, bolsas e transições. O serviço hoje atende, no Brasil, na Europa e nos EUA, abrangendo atletas, treinadores e gestores.
Desafios e atuação prática
O trabalho de Denise prioriza uma gestão humanizada e o ataque como estratégia. No Grêmio Mauaense, comandou 14 jogos sem padronizar tática, adaptando-se ao elenco e ao adversário, mantendo foco em jogadas verticais e no gol.
Ela defende que o futebol não pode ignorar o aspecto individual, destacando que há pessoas por trás dos resultados. A prática envolve personalização dos processos, aceitando desistências como parte do caminho.
Paralelamente, Denise atua como coordenadora técnica e em funções administrativas, com projetos de base e atuação em clubes. Em 2026, há conversas com clubes profissionais, dependendo de projetos alinhados aos seus princípios.
Mesmo com múltiplos papéis, o sonho permanece: liderar uma seleção brasileira. Denise ressalta que mulheres capacitadas devem ocupar espaços, e que mentoria, formação de treinadores e atuação em clubes são caminhos complementares, não concorrentes.
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