A FIFA puniu a Federação Israelense de Futebol (IFA) em 150 mil francos suíços, equivalentes a cerca de 997 mil reais, por violações graves e reiteradas de obrigações no combate à discriminação. A sanção foi anunciada pelo Comitê Disciplinar da entidade nesta quinta-feira.
A FIFA apontou que a IFA deixou de adotar medidas concretas e transparentes contra comportamentos discriminatórios, especialmente racismo entre torcedores do Beitar Jerusalém. Também houve tolerância a mensagens politizadas e militaristas em contextos futebolísticos, conforme o órgão.
A decisão, descrita em detalhe em um relatório de 40 páginas, lista incidentes de racismo no futebol israelense, desde cânticos racistas nas arquibancadas até insultos a jogadores árabes. Mensagens militaristas teriam sido publicadas por dirigentes de ligas profissionais e do Maccabi Netanya.
A FIFA considerou as multas aplicadas à IFA ao Beitar insuficientemente específicas, por não estarem vinculadas a incidentes racistas concretos. Além disso, não houve condenação pública ao racismo, nem campanhas de combate à discriminação ou ações para inclusão de jogadores árabes ou palestinos.
A IFA deve pagar dois terços da multa em até 30 dias e destinar o restante à implementação de um plano abrangente de ações contra discriminação. Além disso, em três jogos internacionais em casa, Israel deverá exibir uma faixa com a mensagem O futebol une o mundo – Não à discriminação.
Medidas e desdobramentos
A FIFA também decidiu não tomar medidas em relação aos clubes israelenses situados em assentamentos na Cisjordânia, rejeitando o pedido palestino que pedia ações internacionais. O status jurídico final da região foi considerado complexo e não resolvido pelo direito internacional.
O órgão reiterou que continuará promovendo o diálogo e a mediação entre as federações de futebol israelense e palestina, buscando avanços no tema, sem ações punitivas adicionais no momento. Fica, assim, registrado o histórico de sanções e condicionantes anunciadas.
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