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Gestão esportiva prática: o triângulo que desafia treinadores

Triângulo de alta exposição, poder e remuneração sustenta modelo insustentável, com ciclos curtos, desgaste constante e pressão sobre os treinadores

Ancelotti, treinador da Seleção Brasileira (Foto: Roberto SCHMIDT / AFP)
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A gestão esportiva no futebol brasileiro, segundo analistas, vive hoje um desequilíbrio que coloca treinadores no centro do sistema. A soma de poder, visibilidade e remuneração não representa força estável, mas uma vulnerabilidade estrutural para clubes e atletas.

Desde os anos 90, com programas de televisão dedicados e a popularização das redes sociais, o treinador passou a figurar como personagem central da narrativa, não apenas como técnico. A imagem dele é consumida e recontruída a cada jogo, o que elevou a pressão e a exposição pública.

O modelo atual é visto como insustentável: o treinador aparece em todas as plataformas, participa de debates e é cobrado em múltiplos ambientes. Ao mesmo tempo, espera-se liderança em áreas além do campo, abrindo espaço para decisões estratégicas fora de sua função original.

O triângulo da gestão

Hoje, alta exposição, poder concentrado e remuneração elevada formam um triângulo que sustenta o modelo. Em clubes brasileiros, esse arranjo é incentivado, mesmo diante de sinais de desgaste institucional.

A consolidação de voz única: clubes acabam transferindo ao treinador o papel de porta-voz institucional. Quando ocorre falha, a responsabilização recai sobre o indivíduo, mesmo que o sistema permaneça inalterado.

Consequências para o futebol

O efeito é ciclos curtos de permanência no cargo, desgaste acelerado e sensação constante de recomeço. Não se trata apenas de capacidade técnica, mas de manter o equilíbrio entre responsabilidade, ambiente e planejamento estrutural.

Essa dinâmica levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo, especialmente no longo prazo, quando a narrativa institucional depende de uma figura singular. A discussão aponta para a necessidade de mudanças que valorizem o funcionamento do sistema como um todo.

Felipe Ximenes, colunista do Lance!, aborda o tema em sua série Gestão Esportiva na Prática, publicada semanalmente. Além disso, o texto cita que o tema é tema de análises e reflexões sobre o futebol brasileiro e seu manejo estratégico.

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