O aumento da prática esportiva entre o público em geral tem produzido um efeito colateral: mais lesões entre os chamados atletas de fim de semana. A combinação de semanas sedentárias com picos de treino concentra o risco em poucos dias de atividade.
Dados da Organização Mundial da Saúde de 2025 mostram que cerca de 1,8 bilhão de adultos não atinge os níveis mínimos de atividade física recomendados. O padrão irregular eleva a chance de problemas musculoesqueléticos durante a prática.
A queixa é comum entre quem começa a se exercitar de forma intensa sem adaptação. Especialistas apontam falta de preparo, negligência com fortalecimento, mobilidade e descanso como fatores centrais de lesão.
A influência das redes sociais é citada como agravante. A pressão por alta performance e resultados rápidos pode levar ao ultrapassamento de limites sem a devida preparação física, segundo especialistas.
Riscos, padrões e sinais de alerta
Estudos indicam que lesões por excesso de carga são predominantes entre corredores recreativos, com cerca de 35% relatando problemas, 72% ligados ao volume excessivo, em pesquisas com milhares de praticantes.
Na prática clínica, o aumento de casos envolve desde distensões até quadros mais graves como rabdomiólise, especialmente em situações de retorno rápido ao esporte após períodos longos de ociosidade.
Membros inferiores costumam apresentar maior incidência em corrida e atividades funcionais; membros superiores, em esportes de raquete como beach tennis, atingindo ombros, cotovelos e punhos.
A detecção precoce é crucial: dor persistente, queda de rendimento e função reduzida devem acionar avaliação médica. O atendimento rápido pode influenciar o desfecho.
Apesar dos riscos, especialistas destacam que o treino seguro é possível. A progressão gradual, fortalecimento adequado e acompanhamento profissional são as estratégias-chave para reduzir danos.
Franz Burini, médico do esporte, orienta que muitos pacientes demoram a buscar ajuda e recorrem à automedicação, o que agrava o quadro. Ainda assim, a reavaliação médica é recomendada quando há sinais de alerta.
Daniela Khouri reforça a importância de consultar um profissional ao notar fadiga excessiva ou dor que persiste. Nem toda dor é normal, especialmente quando dura muito.
O recado é claro: é possível treinar com segurança, mantendo consistência e respeitando os limites do corpo. O objetivo é evoluir sem interromper a prática, com orientação adequada.
- Por Fernanda Krau –
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