A Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo do Corinthians identificou indícios de violações ao estatuto no caso da gestão de materiais esportivos da Nike. O parecer aponta falhas no zelo ao patrimônio, nos controles administrativos e financeiros, além de violação da conduta esperada de dirigentes. O documento será encaminhado à Comissão de Ética com pedido de abertura de processo disciplinar.
Segundo a comissão, houve retirada expressiva de itens ligados à atuação do vice-presidente Armando Mendonça, em parte sem registro formal, às vezes sob a justificativa de empréstimo. Os relatos apontam cinco contradições no depoimento de Mendonça, sugerindo prática informal reiterada sem controle.
Armando Mendonça nega irregularidades e classifica o caso como perseguição política. Ele afirma que não foi responsável pelo controle de materiais e que apenas acompanhava o fluxo de aprovação com a anuência do presidente Osmar Stabile, mantendo transparência no processo.
Desenvolvimento da apuração
A apuração partiu de auditoria interna solicitada pelo presidente Osmar Stabile, que identificou uma série de irregularidades na gestão de materiais fornecidos pela Nike. A comissão sustenta que houve descontrole administrativo e acúmulo de itens de anos anteriores.
A comissão também aponta que houve retirada de itens sem registro, o que pode configurar infração disciplinar conforme artigos do estatuto. Há possibilidade de sanções, como suspensão ou expulsão, dependendo da avaliação da Comissão de Ética.
A Comissão de Justiça defende que o caso envolve gestão temerária que pode demandar impeachment de membros da diretoria eleita em assembleia-geral de associados. Mesmo sem dolo, os indícios indicam desconformidade com governança e boas práticas.
Ricardo Okabe, superintendente administrativo, afirmou ao ge que ainda não teve acesso ao relatório da Comissão de Justiça. Ele disse estar tranquilo e negou ter intimidado qualquer pessoa, condicionando-se à avaliação oficial do documento.
Próximos passos e reações
A Comissão de Ética ficará responsável por aprofundar a apuração, delimitar responsabilidades e propor penalidades, que serão decididas pelo Conselho Deliberativo. A defesa de Armando Mendonça já havia pedido auditoria independente, que não foi acolhida, segundo a nota publicada.
A reportagem apurou que a defesa de Mendonça continuará buscando esclarecimentos oficiais sobre o conteúdo do relatório e as medidas cabíveis, com foco em manter a integridade institucional do clube.
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