O Ministério Público de Minas Gerais denunciou Nahuel Jeremias Maldonado, torcedor argentino de 29 anos, por racismo. O caso ocorreu durante a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, pela Libertadores, na noite de 28 de abril, no Mineirão, em Belo Horizonte. Segundo a denúncia, o torcedor estava na torcida visitante, próximo à Tribuna de Imprensa, e proferiu gestos racistas contra a torcida brasileira.
Uma testemunha descreve que Maldonado passou a mão no próprio braço, simulando a cor da pele brasileira, e projetou as orelhas para frente, gesto interpretado como macaco. A Promotoria esclarece que tais condutas configuram formas de animalização de pessoas com base em características raciais.
A denúncia tramita na 18ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Igualdade Racial, Apoio Comunitário e Controle Externo da Atividade Policial de Belo Horizonte. O promotor Angelo Alexandre Marzano sustenta que o ato, em ambiente público e num contexto esportivo, agravou a repercussão e feriu a dignidade da coletividade.
Contexto e pedidos
O Ministério Público requer a condenação de Maldonado a indenização de pelo menos 10 salários mínimos por danos morais à coletividade, caso haja condenação. Também solicita a suspensão dos direitos políticos do torcedor e a proibição de frequentar estádios de futebol em Minas Gerais por dois anos.
Foi descartada a possibilidade de acordo de não persecução penal, ou suspensão condicional do processo. A promotoria cita entendimento do STF que restringe acordos desse tipo em crimes raciais, destacando a necessidade de reprovação específica para esse tipo de conduta discriminatória.
Entre na conversa da comunidade