A seleção de Marrocos, adversário do Brasil na Copa do Mundo de 2026, se apoia fortemente na diáspora para compor seu elenco. A maioria dos atletas atua em clubes europeus, moldando o estilo de jogo ainda antes de vestir a camisa marroquina. Nomes como Hakimi, nascido em Madrid, e Brahim Díaz, com raízes espanholas, ilustram esse fenômeno.
A presença internacional fica evidente no dia a dia da equipe: jogadores viajam entre grandes centros como Paris, Madri, Manchester e Eindhoven. O modelo de formação fora do país ganhou força ao longo dos anos, sustentando o desempenho recente da seleção em competições de alto nível.
Desde a Copa do Mundo de 2022, Marrocos consolidou a diáspora como eixo da equipe. Naquela edição, 54% dos convocados nasceram fora do país, recorde entre as seleções presentes. O avanço continuou no ciclo atual, com quase 60% dos jogadores de dupla nacionalidade. A base europeia segue como destaque.
A troca recente no comando técnico influenciou o perfil da lista. Em março, Walid Regragui cedeu lugar a Mohamed Ouahbi, mantendo a orientação de priorizar talentos formados no exterior. Além disso, o peso de jogadores desenvolvidos em clubes europeus manteve-se alto, acima de 80%.
Essa dependência externa contrasta com o desenvolvimento doméstico. A participação de atletas da liga marroquina caiu de 11% para 7% entre as convocações, segundo análises da imprensa. Especialistas apontam que a produção local precisa de fomento para reduzir a dependência externa.
O projeto de longo prazo para o futebol marroquino prevê ampliar a base doméstica desde 2008, com investimentos em formação. Mesmo com a forte presença europeia, a federação busca fortalecer centros de talento no país para reequilibrar a balança entre volume de jogadores locais e formados no exterior.
A ligação com a Europa não é apenas circunstancial. A Federação Real Marroquina de Futebol, comandada por Fouzi Lekjaa, atua ativamente na identificação de jogadores com dupla nacionalidade. A decisão de defender Marrocos muitas vezes decorre de vínculos culturais e familiares.
Essa dinâmica de diáspora também reflete o cenário global do futebol de seleções, que tem incorporado fluxos migratórios de forma crescente. Do ponto de vista econômico, cerca de 5 milhões de marroquinos residem no exterior, com remessas representando cerca de 8% do PIB em 2023.
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